Indústria

Equipe econômica e governo da Bahia buscam substituto para a Ford

Ideia é atrair uma montadora que ocupe as fábricas que serão paralisadas pela Ford, e envolve negociações com chineses

O Ministério da Economia e o governo da Bahia estão trabalhando para tentar minimizar o impacto do fim da produção nacional da Ford. A ideia é buscar uma montadora que ocupe as fábricas que serão paralisadas pela marca norte-americana e apoiar os cinco mil trabalhadores que ficarão sem emprego.

Em Brasília, a equipe econômica já entrou em contato com pelo menos duas montadoras para tentar buscar um substituto para as plantas industriais que serão paralisadas pela Ford na Bahia, em São Paulo e no Ceará. A pasta ainda entrou em contato com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), que também tem se movimentado para tentar amenizar o impacto da decisão da Ford no estado.

Segundo Costa, a suspensão das atividades da fábrica da Ford de Camaçari vai reduzir em cerca de R$ 500 milhões a massa salarial mensal da Bahia. Por conta disso, o governador procurou a embaixada da China e também vai procurar as embaixadas do Japão, da Coreia do Sul e da Índia para tentar atrair alguma montadora dessas localidades para o estado.

O governador ainda montou um grupo de trabalho com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o Sindicato dos Metalúrgicos e trabalhadores da Ford para tentar avaliar alternativas a essa situação. A primeira reunião do grupo ocorreu nesta terça-feira (12/1), um dia após o anúncio da suspensão das atividades da Ford no Brasil.

"A partir de hoje, esse grupo irá trabalhar para apresentar o que a Bahia tem a oferecer para esses investidores, que é uma belíssima estrutura, já que temos a maior planta industrial automotiva da América do Sul, estrutura portuária, o parque tecnológico do Senai Cimatec Industrial, inclusive com campo de prova", anunciou Costa.

O gestor ainda indicou que a própria Ford tem interesse na negociação das plantas industriais, tanto que, na conversa com o governo baiano, a marca teria dito que também já está em contato com outras companhias globais sobre a fábrica. "O que tem ali é um parque industrial privado, evidente que passa pela negociação com eles, porque tem um conjunto de maquinários e investimentos ali. Mas, no diálogo que tiveram conosco e no comunicado global, não percebemos nenhum tipo de restrição", contou o governador.

Costa, no entanto, frisou que essas negociações podem não surtir efeito no curtíssimo prazo, por conta da crise global instaurada pela pandemia de covid-19 e também devido aos impasses da economia brasileira, como o Custo Brasil.

"Não quero criar expectativa de curto prazo. Vivemos um cenário de retração econômica global. O coronavírus só se agrava na Europa. Isso é retração da demanda e faz com que os investimentos sejam alongados no tempo. Não será uma solução de curto prazo, mas vamos começar a trabalhar de agora", ponderou o governador, que também criticou o posicionamento do governo federal.

"Infelizmente estamos vivenciando um processo de desindustrialização do país e defasagem cambial. E a ausência de política econômica só tem aprofundado isso", criticou. Segundo ele, a alta do dólar tem inviabilizado a produção industrial no Brasil, já que encarece o custo dos insumos importados pelo setor.

Empregos

O fim da produção nacional da Ford deve atingir menos 5 mil empregos diretos no país, sem contar os indiretos. Por isso, o governo também avalia uma forma de apoiar esse pessoal, tanto na Bahia, quanto em São Paulo e no Ceará. Segundo uma fonte da equipe econômica, a ideia é tentar a realocação desses trabalhadores, já que são profissionais capacitados e o desemprego já está elevado no país.

O governo da Bahia também está atento ao assunto e decidiu fazer um cadastro de todos os trabalhadores da Ford no estado. Segundo Costa, o currículo desses trabalhadores qualificados será apresentado às empresas que decidirem investir no estado a partir de agora.

 

Saiba Mais