sistema financeiro

Com pandemia e redução de receitas, lucro do BB cai 22% em 2020

Resultado foi explicado pelo aumento das provisões realizadas diante da crise da covid-19 e o risco de inadimplência. Em mensagem ao mercado, André Brandão, presidente do banco, disse ser fundamental reduzir despesas e modernizar a instituição

Marina Barbosa
postado em 11/02/2021 21:40
 (crédito: Fernando Bizerra)
(crédito: Fernando Bizerra)

O lucro líquido ajustado do Banco do Brasil (BB) caiu 22,2% no ano passado, a R$ 13,88 bilhões. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (11/02) e, de acordo com o banco, reflete o aumento de provisões decorrente da pandemia de covid-19.

Para se proteger dos riscos de crédito e inadimplência trazidos pela covid-19, o Banco do Brasil antecipou R$ 8,1 bilhões de provisões. Por isso, elevou de R$ 14,19 bilhões para R$ 22,11 bilhões o volume anual de provisões entre 2019 e 2020. Foi um aumento de 47,6%, que, segundo o BB pressionou os resultados do banco no ano passado.

A geração de receitas, no entanto, também pode ter contribuído nesse sentido. É que, diante da crise econômica da covid-19 e da redução da taxa de juros, as receitas com prestação de serviços do banco caíram 1,7% no ano passado. As despesas, que estão na mira do plano de reestruturação lançado no início deste ano, por sua vez, não cresceram em 2020 e fecharam o ano na estabilidade.

Geração de negócios

O BB destacou, por outro lado, que "a geração de negócios permaneceu sólida", mesmo diante da pandemia de covid-19. Por isso, outros indicadores do banco apresentaram um resultado positivo em 2020. Dentro das receitas, por exemplo, houve alta das receitas com seguros, previdência e capitalização (4,8%), consórcios (14,5%) e administração de fundos (7,2%). A carteira de crédito ampliada também teve saldo positivo, crescendo 9% no ano, a R$ 742 bilhões.

Por conta disso, a margem financeira bruta do banco cresceu 5,1%, a R$ 56,72 bilhões, e o resultado estrutural, que não considera as provisões, cresceu 5,9% em 2020, a R$ 42,4 bilhões. Já o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RSPL), ou ROE, teve uma leve melhora, de 12% em 2019 para 12,1% em 2020.

Com esse desempenho, o banco ainda registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,7 bilhões no quarto trimestre. O resultado revela um tombo de 20,1% em relação ao mesmo período do ano passado, mas aponta para um crescimento de 6,1% em relação ao do trimestre anterior.

Em mensagem enviada junto com o balanço financeiro, o presidente do BB, André Brandão, disse que "o Banco do Brasil finalizou 2020 mais preparado para continuar crescendo em seus negócios neste ano".

Redução de despesas

Brandão ainda reforçou a necessidade de reduzir as despesas e modernizar o BB, apesar de o executivo quase ter sido demitido neste ano por conta do plano de reestruturação que prevê o fechamento de agências e o desligamento de quase 5,5 mil funcionários.

"Mantivemos um firme controle das despesas, que cresceram abaixo da inflação anual, e permanecerão sob rigoroso controle neste ano, certamente se comportando abaixo da inflação, mas com o BB perseguindo a redução nominal das despesas. Agora, cabe avançar e aprimorar a experiência do cliente. O setor financeiro passa por nível de competitividade que exige dos bancos estratégias totalmente focadas nos consumidores Temos por objetivo fazer com que todos os números do resultado sejam direcionados para melhorar a experiência do cliente, com soluções digitais cada vez mais inovadoras", disse o executivo.

Para Brandão, "o digital permite especializar ainda mais o atendimento, com maior nível de produtividade". Por isso, ele prometeu incluir 1,3 milhão de clientes no modelo de atendimento digital, fazendo com que 100% do alto varejo opere desse modo. Também pretende promover a inclusão digital, em parceria com o Ministério das Comunicações.

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