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Ações do Ibovespa desaceleram no fim do pregão, mas fecham em alta

Bolsa de Valores encerra o dia com leve alta. No fim da sessão, notícia de que o governo aumentará a tributação sobre os bancos desacelerou os rendimentos de investidores

Fernanda Strickland*
Natália Bosco*
postado em 01/03/2021 20:30 / atualizado em 01/03/2021 20:38
 (crédito: Foto: Pixabay)
(crédito: Foto: Pixabay)

O início de março trouxe uma melhora para o mercado de ações. O Ibovespa apresentou variações positivas ao longo de quase toda a segunda-feira (01/03) e fechou o dia com 110.486 pontos. O avanço do pacote fiscal trilionário nos Estados Unidos e a acomodação das taxas dos títulos norte-americanos sustentaram a melhora do mercado brasileiro. O dólar comercial fechou o dia no valor de compra de R$5,601 e venda de R$5,602, uma queda de 0,0892%. Mas, no final da tarde, a notícia de que o governo vai aumentar impostos sobre os bancos afetou as ações brasileiras. No fim do pregão, a bolsa marcou um alta de 0,27%.

A economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, explica que a oscilação no mercado reflete o momento de incerteza. “Momentos de incerteza da área econômica, político, tributário, no que diz respeito à questão da saúde pública, de decisões políticas, do escancaramento da posição populista do governo. Com a nomeação do (futuro) presidente da Petrobras, ficou totalmente escancarado”, avalia.

Pasianotto afirma que o dólar também está ligado à política, saúde e economia do país. Mas reflete mais a visão do investidor estrangeiro. “O dólar também advém disso, mas com o olhar externo, de fora para dentro", conta.

Para a economista, investidores mais experientes estão habituados a essa instabilidade. “Essa é a realidade do mercado de capitais brasileiro. É muita incerteza, e isso é bom, porque tem grandes oportunidades para você ganhar. Trata-se de um mercado que envolve uma matriz de risco muito grande, com grande probabilidade de ganhos extraordinários e grandes probabilidades de perdas extraordinárias. Você pode enxergar o mercado acionário com essa volatilidade como um mercado de ganhos extraordinários ou não”, analisa.

Pasianotto sustenta que a expectativa positiva do mercado em relação a março pode não se confirmar. “Temos a questão da PEC Emergencial, a Petrobras, pandemia. Então a gente não sabe o que vai ser a questão da evolução dessa segunda onda da economia, se vamos ter algum colapso efetivo da saúde pública. Não dá para falar que sim ou não. É um futuro muito incerto”, afirma.

Volatilidade

No primeiro pregão de março, o rendimento dos títulos dos bancos recuou após semana de alta. Isso aconteceu em razão da notícia de aumento na tributação sobre instituições financeiras a fim de zerar R$ 3,6 bilhões em tributos sobre diesel e gás de cozinha. Com isso, o Ibovespa, que subia 1,11% e marcava 111.258 pontos, desacelerou os ganhos nos últimos minutos.

“A expectativa sobre a volatilidade de média e longo prazo é sempre para melhor. Pensando no cenário brasileiro, ele é um mercado volátil, ele nunca vai ser um mercado com volatilidade muito baixa, a gente precisaria mudar muitos fundamentos econômicos e políticos para ter uma volatilidade baixa. Talvez em um longo prazo, pode ser que sim, mas em médio prazo não”, esclarece economista-chefe da Reag Investimentos.

Outro destaque do dia foi a estreia das ações do Assaí (ASAI3) na B3, que chegaram com alta de 400%. As ações políticas nacionais continuam no radar dos investidores, que seguem esperando o desfecho da PEC Emergencial e as mudanças na administração da Petrobras.


*Estagiárias sob supervisão de Carlos Alexandre de Souza 

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