Interferência política

Quatro integrantes do Conselho da Petrobras pedem para deixar o cargo

Decisão é uma resposta à mudança na presidência da estatal. O presidente Jair Bolsonaro indicou o general Joaquim Silva e Luna para substituir Roberto Castello Branco no comando da companhia

Simone Kafruni
postado em 02/03/2021 22:44 / atualizado em 02/03/2021 22:47
 (crédito: Reprodução da Internet)
(crédito: Reprodução da Internet)

A interferência política na Petrobras provocou a saída de vários conselheiros de uma só vez. Em comunicado ao mercado, a empresa anunciou, nesta terça-feira (02/03), que os membros do Conselho de Administração João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha pediram para deixar os cargos.

A decisão é uma resposta à mudança na presidência da estatal. O presidente Jair Bolsonaro indicou o general Joaquim Silva e Luna para substituir Roberto Castello Branco no comando da companhia. Os quatros são indicados pelo governo, que é o acionista controlador da estatal. O nome de Luna precisa ser aprovado em assembleia de acionistas, ainda sem data marcada.

“Em continuidade aos comunicados de 19 e 23 de fevereiro, a Petrobras comunica que foi informada pelos Conselheiros de Administração João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha Sobrinho que não pretendem ser reconduzidos na próxima Assembleia Geral Extraordinária (AGE)”, divulgou a estatal, em nota.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Omar Carneiro justificou: “Em virtude dos recentes acontecimentos relacionados às alterações na alta administração da Petrobras, e os posicionamentos externados pelo representante maior do acionista controlador, não me sinto na posição de aceitar a recondução de meu nome como conselheiro. A mudança proposta pelo acionista majoritário, embora amparada nos preceitos societários, não se coaduna com as melhores práticas de gestão, nas quais procuro guiar minha trajetória empresarial.”

Razões pessoais

Os conselheiros João Cox Neto e Nivio Ziviani agradeceram o convite para a recondução, mas alegaram não poder aceitar por razões pessoais. Paulo Cesar de Souza e Silva pediu para não ser reconduzido já que “seu mandato será, em breve, interrompido”. “Aproveito para registrar meu respeito e reconhecimento pelo excelente trabalho desenvolvido pela diretoria executiva e funcionários da Petrobras, bem como pelos meus colegas”, acrescentou.

Segundo a Petrobras, a recondução desses conselheiros havia sido proposta pela União, conforme ofício do Ministério de Minas e Energia (MME) em 19 de fevereiro. “Eventuais substitutos indicados pelo acionista controlador serão submetidos ao processo de análise de gestão e integridade da companhia e objeto de análise pelo comitê de pessoas”, finalizou a nota da petroleira.

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