CONJUNTURA

Alta da Selic vai aumentar os custos dos empréstimos

Segundo especialistas, a ordem principal é planejamento

Rosana Hessel
Pedro Ícaro
Gabriela Bernardes*
postado em 19/03/2021 06:00 / atualizado em 20/03/2021 00:13
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press - 26/11/20)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press - 26/11/20)

Após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevar a Selic, taxa básica da economia, de 2% para 2,75% ao ano, na quarta-feira, quem está pensando em financiar um sonho ou um bem pode ter uma certeza: os custos dos empréstimos devem subir daqui para frente. Portanto é bom fazer um bom planejamento financeiro.

“Toda vez que há mudança no padrão da política monetária, o custo de captação e dos empréstimos sobe. Os bancos terão um custo maior para captar recursos além de, recentemente, o governo ter aumentado a tributação sobre o lucro. Haverá repasses, certamente, e os bancos continuarão criteriosos na liberação dos financiamentos”, explicou o economista Ricardo Rocha, professor de Finanças do Insper.

Miguel José de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), alertou que o momento não é favorável para dívidas. “Estamos no meio de uma pandemia, e a situação das empresas tende a se agravar. Muitos podem perder o emprego”, observou. Ele lembrou que, no caso do financiamento imobiliário, esse aumento de juros precisará ser bem calculado para caber no orçamento familiar. “Qualquer alteração na taxa, mesmo que pequena, tem um impacto enorme no valor final do bem”, advertiu.

A técnica de enfermagem Deusenice Barcelos, 53 anos, reconheceu que o momento ainda é propício para comprar uma casa, mas ela sabe que precisará pesquisar bastante. “Faz cinco anos que planejo comprar um imóvel e pretendo concretizar esse plano por meio de financiamento. Vou pesquisar bastante em quais bancos que não estarão com juros altos para eu poder fazer a compra sem me endividar muito”, disse.

Para Riezo Almeida, coordenador de graduação em economia do Instituto de Ensino Superior de Brasília, as taxas de financiamento imobiliário devem seguir nos atuais patamares a curto prazo. “A construção civil e, consequentemente, a venda de imóveis estão vivendo um momento de bastante competição no setor, e, para manter o apetite do consumidor, os juros não devem ser alterados tão cedo”, explicou.

* Estagiários sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza

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