Preços

Com alta dos combustíveis, prévia da inflação acelera 0,93% em março

Resultado foi puxado pelo aumento na gasolina e no gás de cozinha e é o maior para o mês desde 2015, segundo o IBGE

Marina Barbosa
postado em 25/03/2021 09:47 / atualizado em 25/03/2021 09:48
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

A prévia da inflação oficial brasileira acelerou para 0,93% em março, por conta da alta da gasolina e do gás de cozinha. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (25/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é o maior para o mês desde 2015.

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) do IBGE, os gastos com transporte (3,79%) e habitação (0,71%) explicam a aceleração da prévia da inflação, que havia marcado 0,48% em fevereiro e apenas 0,02% em março do ano passado. É que os combustíveis e o gás de cozinha ficaram mais caros devido à alta do petróleo, que é intensificada no Brasil por conta do dólar elevado.

Só os combustíveis subiram 11,63% nas últimas semanas, puxados pelos preços da gasolina (11,18%), etanol (16,38%), óleo diesel (10,66%) e gás veicular (0,39%). Nessa quarta (24), no entanto, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,11 no litro dos combustíveis. Já o gás de cozinha subiu 4,6% na prévia da inflação de março. Foi o 10º mês consecutivo de alta do botijão, apesar da decisão do presidente Jair Bolsonaro de zerar os tributos federais que incidem sobre o gás de cozinha.

Também contribuiu com a alta da inflação, no entanto, a mudança da bandeira tarifária da energia elétrica, porque a bandeira amarela provocou uma alta de 0,05% na conta de luz. Os alimentos, por sua vez, pesaram bem menos que nos meses anteriores.

Segundo o IBGE, a prévia da inflação do grupo de alimentação e bebidas subiu apenas 0,12% em março, depois de acelerar 0,56% em fevereiro e e 1,53% em janeiro. E esta alta foi puxada pela alimentação fora do domicílio, que subiu 0,49%. É que a alimentação no domicílio, que foi a vilã da carestia em 2020, caiu em março, depois de sete meses consecutivos de alta.

De acordo com o IPCA-15, os alimentos para consumo no domicílio variaram -0,03% após em março, por conta da queda de preços do tomate (-17,50%), da batata-inglesa (-16,20%), do leite longa vida (-4,50%) e do arroz (-1,65%). As carnes, no entanto, continuam em alta e subiram 1,72%.

Acumulado

A prévia da inflação veio acima do projetado pelo Banco Central (BC) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira, o BC projeta uma inflação de 0,82% neste mês. A autoridade monetária ainda elevou de 3,4% para 5% a projeção de inflação de 2021.

Com a alta de 0,93% de março, o IPCA-15 registrou uma elevação de 2,21% no primeiro trimestre deste ano. É o maior resultado para esse período desde 2016, quando a prévia da inflação acelerou 2,79% nos três primeiros meses do ano. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a prévia da inflação marca 5,52%. O resultado está acima do teto da meta de inflação deste ano, que é de 5,25%.

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