CB.Agro

Produtores defendem maior adição de biocombustível ao óleo diesel

Para especialista, percentual de mistura poderia passar dos atuais 13% para 20% em 2028, sem prejudicar desempenho dos motores dos veículos

Nesta semana saíram números bons da agricultura: enquanto o PIB brasileiro caiu, a agricultura teve expansão em 2020. O Banco Central (BC) apresentou dados de crescimento na região Centro-Oeste, puxados pelo agronegócio. Entrevistado do programa CB.Agro deste sexta-feira (5/3), Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) diz que a retomada do crescimento econômico do país passa pelo agronegócio.

O Brasil é um país pujante na produção agrícola. No entanto, Tokarski vê a necessidade de um direcionamento melhor da produção do setor. “Veja a questão da soja, são 125 milhões de toneladas de soja produzida no país. Entretanto, mais de 80 milhões de toneladas são exportadas em grãos. É preciso valorizar a industrialização nacional, e industrializar mais no Brasil significa produzir com maior diversidade, ter essa verticalização agregando valor ao nosso produto, e consequentemente, gerando muito mais empregos no país que é um dos grandes problemas que nós temos hoje”, apontou.

O biodiesel é um produto que está envolvido em diversas cadeias produtivas, não apenas da soja, mas também do sebo bovino, a gordura animal. “O produto antes era passivo ambiental, jogado na beira das estradas, lixões, rios, poluindo os rios. O que se faz hoje com o sebo bovino? Ele é transformado em biodiesel. Cerca de 20% do biodiesel produzido no Brasil hoje é de gorduras animais. Outro produto que pode contribuir para a produção de biodiesel é o óleo de fritura, utilizado nas cozinhas de casas e restaurantes, que muita gente joga na pia, poluindo e entupindo as redes de esgoto, e às vezes até o próprio encanamento de casa. Cada litro de óleo polui cerca de 25 mil litros de água”, explicou o diretor.

Tokarski explicou que o biodiesel é um ótimo substituto do diesel fóssil. O produto pode ser colocado no veículo na proporção de até 30% do diesel, sem alteração da potência do motor ou do consumo. “ A vantagem de que é um produto nacional que agrega valor, que hoje é produzido em 14 estados da Federação e em todas as regiões do Brasil. Então, é um produto que faz o papel inverso da logística por exemplo, do diesel, porque o diesel é produzido basicamente no litoral brasileiro. O Brasil também importa 20% do diesel que é consumido. Ou seja, nós ainda somos um grande importador de diesel”, observou Tokarski.

O especialista destacou, ainda, que, hoje, já temos 13% de biodiesel misturados ao diesel de petróleo. ele disse, porém, que podemos avançar mais, estabelecendo uma trajetória, uma previsibilidade para que a indústria também esteja preparada para esse aumento. “Para fazer isso, usamos uma definição do que vai ser além do ano de 2023. A partir de 2023 esse cenário ainda não está claro, precisa de uma nova legislação para definir se em 2024 vai ser 16%, e assim por diante. Nossa defesa é chegar em 2028 com 20% de biodiesel no diesel”, declarou Tokarski.

O diretor explicou que, à medida que vai aumentando o percentual de mistura do biodiesel com o diesel, mais se obtèm energia limpa. “Sete bilhões de litros produzidos por ano significam sete bilhões de diesel fóssil que não foram importados e que não lançaram poluentes na atmosfera. Então é uma energia limpa”, disse.

Muitos caminhoneiros reclamam dos altos preços do diesel — o que levou o presidente Jair Bolsonaro a intervir Petrobras. Donizete Tokarski, explicou, porém, que a crise do diesel está relacionada à crise externa, ao dólar, que está alto. “Nós temos uma relação de mercado internacional muito ligada ao combustível fóssil. O biodiesel é um produto nacional, matéria prima feita dentro de casa, com tecnologia praticamente domesticada. É apenas preciso fortalecer o processo de produção, aumentando o esmagamento da produção nacional e dando essa curva de crescimento do combustível ao longo dos próximos anos”, finalizou.

*Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo

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