Os consumidores brasileiros estão cada vez mais atentos ao impacto socioambiental dos negócios do país. Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que 87% deles consideram que tal compromisso é importante para a imagem e a avaliação de uma empresa. Por isso, os bancos têm reforçado as práticas de sustentabilidade.
A preocupação do mercado financeiro com a política ambiental veio à tona no ano passado, quando um grupo de investidores estrangeiros ameaçou deixar o país devido ao avanço do desmatamento na Amazônia e das parcas iniciativas do governo federal para conter as queimadas. Bradesco, Itaú e Santander, por exemplo, se uniram para lançar o Plano Amazônia, com 10 metas de desenvolvimento sustentável para a floresta.
A ideia dos bancos é levar o compromisso com a ecologia aos clientes, por meio do financiamento de projetos sustentáveis e da emissão ou investimento em títulos verdes. Por isso é que a Febraban fechou parceria com a International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial, para alinhar o setor aos compromissos do Acordo de Paris.
A política de autorregulação da Febraban tem a adesão de 23 bancos. “A autorregulação existe desde 2014, mas ganhou destaque nos últimos anos por conta da agenda ESG (em inglês, Environmental, Social and Governance — Ambiental, Social e Governança). Os clientes gostam de saber que o dinheiro está indo para ativos de alto impacto ambiental, sobretudo os mais jovens. O investidor e o consumidor estão exigindo empresas mais engajadas e percebem que as empresas mais comprometidas com a agenda ESG são mais lucrativas”, explicou o diretor de Sustentabilidade, Cidadania Financeira, Relações com o Consumidor e Autorregulação da Febraban, Amaury Oliva.
Ao disseminar essa preocupação com a clientela, será possível manter os ativos das empresas brasileiras atrativas aos investidores estrangeiros, que, no ano passado, demonstraram preocupação com a política ambiental do país. “O mercado entende que é preciso cuidar do meio ambiente e que as empresas que não são sustentáveis tendem a acabar uma hora. Por isso, todos sentimos esse caminho de sustentabilidade nas instituições financeiras”, afirmou o vice-presidente de Agronegócios e Governo do Banco do Brasil, João Pinto Rabelo Junior.