CONJUNTURA

Alta de 39% no gás natural

Petrobras anuncia aumento do combustível utilizado na industria e pelos veículos. Expectativa é de que seja sentido no bolso do cidadão, pois encarecerá os custos de produção num momento de perda de renda devido à pandemia da covid

Fernanda Strickland*
postado em 05/04/2021 23:16

A Petrobras anunciou, ontem, que reajustará em 39% o preço do gás natural, a partir de 1º de maio. Embora esse aumento não se refira ao combustível que é usado para cozinhar — se aplica àquele utilizado na produção industrial e também serve para carros e caminhões —, o impacto será sentido no bolso do consumidor. Isso porque encarecerá os custos de produção, que, naturalmente, serão repassados aos cidadãos, num momento de perda de renda devido à crise sanitária vivida pelo país.

A variação do gás natural é em função da aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, que vinculam o preço à cotação do petróleo e à taxa de câmbio — conforme explicou a estatal, acrescentando que as atualizações dos preços são trimestrais. Com relação aos meses de maio, junho e julho, a referência adotada foram os preços de janeiro, fevereiro e março.

Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos, explicou que o novo aumento vai resultar em baque inflacionário, sobretudo por causa da queda da renda média do brasileiro. “O preço das commodities internacionais continuam subindo, com expectativa de recuperação das economias desenvolvidas (impactos da covid-19), enquanto o cenário da economia brasileira tem muitas incertezas, e deixa o dólar valorizado contra o real”, observou. Ele salientou que “o aumento não afeta o gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, que subiu 5% no último sábado e já acumula alta de 22,7%, em 2021”.

Nota da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), distribuída ontem, alerta que a alta chegará ao consumidor, apesar de as empresas não lucrarem mais por causa disso. “Ao contrário, acabam tirando competitividade do gás natural em relação a outras fontes de energia, como a gasolina, o óleo combustível, GLP e eletricidade”, observou.

A Petrobras continua sendo a única fornecedora de gás natural e, com o monopólio, não apenas impede a concorrência, como, por atrelar o combustível às variações contatuais do mercado internacional, não permite que o preço diminua. Segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace), a alta nos preços da estatal ainda superou expectativas de especialistas — estava prevista uma elevação de até 35% no valor do gás para os distribuidores.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

35%

era o aumento máximo estimado pela Abrace para o gás utilizado na indústria e nos veículos

 

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