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"O grande desafio do Brasil é fiscal", alerta Campos Neto

Para o presidente do BC, foi a consolidação fiscal que permitiu a redução da taxa básica de juros nos últimos anos

Marina Barbosa
postado em 06/04/2021 10:24
 (crédito: Raphael Ribeiro/BCB - 24/9/20)
(crédito: Raphael Ribeiro/BCB - 24/9/20)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, acredita que o maior desafio do Brasil ainda está na questão fiscal. "É tudo sobre o fiscal", disse Campos Neto, ao ser questionado sobre o desafio da política monetária brasileira em evento do Fundo Monetário Internacional (FMI) transmitido nesta terça-feira (6/4).

Campos Neto explicou que o BC pôde baixar os juros no Brasil nos últimos anos porque o país estava no caminho de uma convergência fiscal. E disse que, agora, por outro lado, o BC coordena um momento de "normalização parcial" da taxa básica de juros (Selic) por conta do aumento da inflação, que ainda é visto como algo temporário pela autoridade monetária.

Para o BC, o aumento da inflação é fruto da alta dos preços internacionais das commodities e da desvalorização do real, que foi mais forte que a desvalorização de outras moedas emergentes na pandemia de covid-19 e torna os preços das commodities ainda mais elevados no Brasil. Campos Neto também citou o auxílio emergencial e o clima como fatores que podem ter elevado a inflação dos alimentos no país em 2020.

"As projeções de inflação para 2020 saltaram de 2% ou 3,4% para 5%. E essa diferença, 1,6%, foi basicamente atribuída às commodities e aos efeitos da desvalorização", afirmou Campos Neto, que, em outras ocasiões, já atribuiu a recente alta do dólar a dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal do Brasil.

Ele admitiu que a persistência desse processo de valorização das commodities e da depreciação cambial acabou contaminando outros números da inflação. E disse que, por isso, o Banco Central deu início a um processo de "normalização parcial" da taxa básica de juros. Na última reunião, em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic de 2% para 2,75% e indicou que deve elevar novamente os juros, na mesma magnitude, no início de maio.

"É difícil explicar isso em um país que ainda está enfrentando uma série de problemas da pandemia, mas vimos que a contaminação estava crescendo e começamos um processo de normalização parcial dos juros", comentou Campos Neto, lembrando que, quando o BC reduziu os juros para 2%, a perspectiva era que a inflação ficasse abaixo de 2% e que a economia brasileira caísse quase 9% em 2020, o que acabou não se concretizando.

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