AVALIAÇÃO

Falta fôlego, mas o bolso agradece

Testamos o Fiat Grand Siena 1.4, que sai de fábrica com a predisposição para receber o kit de GNV, tornando-se uma boa opção para motoristas que rodam muito na cidade. Mas é importante ficar atento ao baixo desempenho do motor

ENIO GRECO
postado em 07/04/2021 20:49

Em tempos de preços dos combustíveis nas alturas, qualquer medida para reduzir custos pode ser bem-vinda. A Fiat tem em sua linha uma opção que pode ser muito interessante para taxistas, motoristas de aplicativos, frotistas e entregadores. Trata-se do Grand Siena 1.4 flex, que tem a opção de sair de fábrica com a predisposição para receber o kit de gás natural veicular (GNV), com custo adicional de R$ 720. Para instalar o kit, gasta-se, em média, R$ 4.500, mas se pode obter uma economia de até R$ 10 mil por ano em combustível. O ponto negativo é que o desempenho do sedã com o GNV deixa a desejar.

Em 2006, a Fiat lançou o Siena Tetrafuel, versão do sedã que já saía de fábrica pronta para rodar com gasolina, etanol, benzina (gasolina pura comercializada em países da América do Sul) e GNV. Não era preciso fazer qualquer adaptação. Bastava abastecer o carro. Mas o modelo foi descontinuado e, em 2019, a montadora lançou o Grand Siena 1.4 flex com a predisposição de fábrica para receber o GNV. Na prática, o cidadão compra o carro e tem que levá-lo em uma oficina especializada e autorizada para fazer a instalação do kit GNV.

Segundo a Fiat, o motor tem o cabeçote e a sede de válvulas produzidos com material especial para evitar desgaste prematuro em razão do uso do gás. O novo coletor tem parede reforçada e preparação que facilita a instalação dos bicos injetores de gás, evitando possíveis danos e gambiarras na instalação e manutenção do kit. A predisposição para o GNV é vendida como opcional e custa R$ 720. Depois, basta levar o carro a uma oficina autorizada pelo Inmetro para fazer a instalação do kit GNV, que, na Geração 5, custa, em média, R$ 4.500. Feito isso, é só rodar e fazer a vistoria da instalação a cada seis meses, testando os cilindros a cada 5 anos, para conferir possíveis vazamentos.

O GNV é indicado para profissionais que rodam muitos quilômetros por dia, como taxistas, frotistas, locadoras e motoristas de aplicativo. De acordo com a Fiat, o kit GNV Geração 5 conta com sistema de injeção eletrônica de gás natural que minimiza a perda de potência, pois comuta entre o GNV, a gasolina, etanol ou diesel. O sistema usa o GNV como combustível principal, proporcionando até 60% de economia ao usuário. Ainda de acordo com o fabricante, o kit resulta em redução média de 20% nas emissões de CO² na atmosfera.

Faça as contas

Testamos o Grand Siena com o kit GNV, que traz, no porta-malas, dois cilindros de 7,5m³ cada, de gás, proporcionando uma autonomia média de 200 quilômetros. Com o preço médio do metro cúbico do GNV a R$ 3,32, gastamos R$ 49,80 para abastecer os dois tanques, resultando em R$ 0,25 por quilômetro rodado. Com gasolina no tanque, considerando consumo médio de 11km/l e preço de R$ 5,56 por litro, gasta-se cerca de R$ 100 para rodar 200 quilômetros. Nesse caso, o quilômetro rodado sai a R$ 0,52.

Comparando os gastos com gasolina e GNV, o uso do gás gera uma economia mensal de R$ 804,33 e anual de R$ 9.652. Se a comparação for feita com etanol, com preço médio de R$ 4,09, a economia mensal a favor do GNV é de R$ 877,45 e anual de R$ 10.530. Considerando o adicional de R$ 720 pela predisposição e R$ 4.500 pelo kit, em cerca de seis meses, com a economia que se faz, paga-se o kit completo de GNV.

O Grand Siena traz no console a chave comutadora que permite ativar ou desativar o uso de GNV. A Fiat garante que o gás não compromete o desempenho do sedã, mas, na prática, não foi bem isso que constatamos. O motor 1.4 já tem o desempenho limitado, contudo, melhora um pouco quando se abastece com etanol. Usando o GNV, o desempenho cai bastante, principalmente em subidas, onde é preciso trocar de marchas constantemente. O sistema apresentou, em alguns momentos, falha de funcionamento com o gás natural, “engasgando” em baixas rotações.

O câmbio manual de cinco marchas tem relações mais curtas, que ajuda um pouco a minimizar o problema do desempenho, mas os engates não são muito precisos e o curso da alavanca é longo. A direção tem assistência hidráulica, com boas cargas em manobras e velocidades elevadas. As suspensões garantem equilíbrio entre estabilidade e conforto de marcha, e os freios atuaram de forma eficiente, apesar do peso extra dos cilindros no porta-malas, que perde boa parte do espaço.

Alguns estados concedem descontos ou isenção no IPVA para carros com o kit GNV. Não se pode esquecer que é preciso fazer vistoria a cada seis meses no kit GNV, o que gera custo. E vale lembrar, ainda, a pequena disponibilidade de postos com GNV. Portanto, apesar da economia gerada com o kit GNV, é preciso fazer contas para verificar se vale mesmo a pena investir no uso de gás natural.

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