FMI

PIB per capita do Brasil não para de encolher na comparação global

Brasil, que iniciou a década passada na 77ª posição entre os maiores PIBs per capita globais em paridade do poder de compra (PPC), chegou a 2020 no 85º lugar

Fernanda Strickland*
postado em 12/04/2021 17:40 / atualizado em 12/04/2021 17:47
 (crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que a renda per capita do brasileiro em dólares não para de encolher. O Brasil, que iniciou a década passada na 77ª posição entre os maiores PIBs per capita globais em paridade do poder de compra (PPC), chegou a 2020 no 85º lugar. O relatório traz informações de mais de 190 países.

O economista Hugo Passos explica que, durante o período de 2011 – 2020, o Brasil passou por recessões. “Enquanto outros países passavam por crescimento econômico, exceto a pandemia, que foi em escala global. Infelizmente foi considerado uma época perdida, visto que saímos de um PIB (Produto Interno Bruto) per capita de US$ 15.394, em 2011, para US$ 14.140 em 2020, ou seja, não houve desenvolvimento econômico”.

Para Hugo, a situação atual do país mostra que ele não se desenvolveu economicamente. “O Brasil se esforçou muito, mas sem chegar a lugar nenhum, ou seja, corre-se atrás do próprio rabo. Isso acaba sendo mal-visto por outros países, encadeando em aumento de risco-país e em queda de investimento estrangeiro”, afirma.

Deibert Fernandes de Aguiar, estrategista da Terra Investimentos, afirma que são diversos os motivos que levaram o Brasil para essa situação cada vez mais preocupante, economicamente falando. “Mas podemos destacar o baixo grau de escolaridade, sendo este um dos principais fatores a serem corrigidos para ganharmos produtividade, fazendo com que ocorra uma elevação em nosso PIB per capita a longo prazo. Somam-se a isso as questões burocráticas no ambiente de negócios que dificultam as transações internacionais, desestimulando a entrada de novos players para atuarem internamente”.

Para o especialista, a situação fiscal do país vem se deteriorando ao longo dos últimos anos com um endividamento crescente, que se agravou durante a pandemia da covid-19. “Fazendo com que tenhamos uma quebra de confiança cada vez maior por parte do capital estrangeiro, que por consequência faz a cotação do dólar se apreciar em relação ao real, diminuindo mais ainda nossa renda per capita em dólar. No resumo, nosso PIB não caminhou na mesma velocidade que nossos pares emergentes que conseguiram implementar uma política mais eficiente”, esclarece.

De acordo com Fernandes, explicar como o Brasil pode tentar sair dessa situação é quase como dissertar sobre uma utopia. “O Brasil precisará investir massivamente na educação a nível primário. Mas como fazer tais investimentos quando se tem uma situação fiscal já em estado de alerta? Também será necessário que se faça as tão citadas reformas administrativas e tributárias para que possamos criar um ambiente de negócio mais atrativo e simplificado. Fazendo isso, então, poderemos vislumbrar a criação de empregos mais qualificados e não ficarmos apenas dependentes da exportação de commodities”.

“Eterna recessão”

Segundo Passos, o Brasil não pode continuar numa “eterna recessão”. “Saímos de uma (recessão) em 2015-2016 e, agora, mais uma com a pandemia. É preciso dar andamento nas reformas administrativas e tributárias, aumentar a velocidade da vacinação, controlar as contas públicas, privatizações estratégicas, aumentar investimento em tecnologia e infraestrutura, políticas para geração de emprego e renda”, enumera.

“O futuro é bastante incerto, mas o Brasil tem tudo para dar certo, tem tudo para crescer. Com boas políticas, pode chegar próximo a posição 72º em 2030”, acredita o economista.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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