CONJUNTURA

Copom deve aumentar a taxa básica de juros para 3,5% ao ano

Analistas dão como certa alta de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, na próxima semana, mas não há consenso sobre até que ponto deve chegar a Selic. Se inflação continuar pressionada, BC pode apertar mais a política monetária

Marina Barbosa
postado em 01/05/2021 06:00
Banco Central deve ficar de olho no comportamento da taxa de câmbio e no preço das commodities, que está em alta, para definir próximos passos -  (crédito: Leonardo Sá/Agência Senado)
Banco Central deve ficar de olho no comportamento da taxa de câmbio e no preço das commodities, que está em alta, para definir próximos passos - (crédito: Leonardo Sá/Agência Senado)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne na próxima semana para definir o rumo da taxa básica de juros. E a expectativa dos analistas é de que o Comitê cumpra a promessa de elevar a taxa Selic de 2,75% para 3,5% ao ano, por conta da pressão inflacionária. O mercado, contudo, está de olho no comunicado do Copom, para saber até onde deve ir a alta dos juros neste ano.

A reunião do Copom vai ocorrer na terça e quarta-feira, mas, na opinião da maior parte dos especialistas, já começa com a alta dos juros contratada. É que, na última reunião, em março, quando elevou a Selic de 2% para 2,75%, o comitê prometeu uma nova alta de 0,75 ponto percentual para maio. A perspectiva de que a Selic vai a 3,5% vem sendo reforçada desde então pela diretoria do BC. O presidente do banco, Roberto Campos Neto, por exemplo, disse que o ajuste só seria reavaliado se “algo muito diferente ou extraordinário” acontecesse, o que não foi o caso, segundo especialistas.

“O BC foi muito claro na comunicação, de que pretende dar 0,75 ponto percentual, a menos que houvesse uma piora grande dos fundamentos. E o que vimos de lá para cá foi um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) um pouco melhor na margem e o fim do impasse do Orçamento. Não foi a solução ideal, mas foi uma solução. Então, não vemos uma piora adicional que justifique uma alta maior da Selic”, explicou o superintendente de investimentos da Infinity, Camilo Cavalcanti.

“O Copom deixou muito explícito que o ajuste seria de 0,75 ponto percentual, e as mudanças que ocorreram desde então foram muito marginais. Então, a decisão dessa reunião parece ser ponto pacífico. A discussão mais interessante estará na sinalização dos próximos passos do colegiado”, acrescentou o economista-chefe do Banco Original, Marcos Caruso.

Caruso lembrou que o BC começou a subir os juros para conter a alta da inflação, mas também indicou que faria uma “normalização parcial” da Selic neste ano. Isto é, não subiria a Selic a ponto de chegar à taxa neutra, que hoje está em torno de 6% a 6,5%. O economista diz, no entanto, que essa normalização pode ter que ser mais dura, já que a inflação segue em alta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada em 12 meses foi de 4,52% no fim de 2020, mas já bateu 6,10% em março. E os analistas acreditam que ela ainda vai chegar perto dos 8% em meados deste ano, embora deva desacelerar para 5% no fim do ano.

“Existe uma preocupação com a inflação, porque continua havendo pressões vindas do câmbio e das commodities. Tanto que as expectativas para a inflação de 2022 já estão sendo revistas. Então, seria interessante que o BC retirasse essa avaliação de que o ajuste será parcial, para mostrar que terá uma postura dura o suficiente para evitar que a inflação transborde para 2022 e para manter as expectativas ancoradas na meta”, defendeu o economista do Banco Original, que vê a Selic chegando a 6% neste ano e a 6,5% em 2022. “Esperamos que o BC sinalize mais uma alta de 0,75 ponto. na outra reunião, em junho, porque reduzir o ritmo de ajuste da Selic neste contexto poderia desancorar as expectativas”, acrescentou Cavalcanti.

Economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto também acredita que, diante da pressão inflacionária, a alta dos juros terá que ser mais dura do que o projetado inicialmente. Por isso, não descarta uma surpresa nesta reunião do Copom. “O consenso é de que a Selic vai subir em 0,75 ponto agora, mas eu não descarto a possibilidade de o comitê optar por uma alta de 1 ponto percentual. O comitê gosta de surpreender. Na última reunião, por exemplo, o mercado esperava uma alta de 0,50 e o comitê surpreendeu”, lembrou Simone.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

CONTINUE LENDO SOBRE