Indústria

Produção industrial cai 2,4% em março, segundo mês seguido de retração

Setor cresceu 10,5%, na comparação com março de 2020, mas a alta é consequência da base de comparação baixa devido aos reflexos do isolamento social em razão da covid-19

Vera Batista
postado em 05/05/2021 10:31
 (crédito: Cadu Gomes/CB/D.A Press - 4/1/7)
(crédito: Cadu Gomes/CB/D.A Press - 4/1/7)

Afetada diretamente pela segunda onda da pandemia da covid-19, a produção industrial caiu 2,4% em março na comparação ao mês anterior e intensificou a perda de 1% registrada em fevereiro, quando interrompeu nove meses de resultados positivos. O recuo de março foi puxado principalmente pela queda de 8,4% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias. Frente a março de 2020, a indústria avançou 10,5%, sétima taxa positiva consecutiva e a maior desde junho de 2010 (11,2%), de acordo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No primeiro trimestre de 2021, a indústria acumula alta de 4,4%, percentual superior ao registrado no último trimestre de 2020 (3,4%). No acumulado em 12 meses (-3,1%) teve o recuo menos intenso desde abril de 2020 (-2,9%), informou o IBGE. Com os resultados desse mês de março, o setor industrial ficou 16,5% abaixo do patamar recorde registrado em maio de 2011. O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que o aprofundamento do recuo do setor, em março, é relacionado à intensificação das medidas de combate ao novo coronavírus.

“Esses dois resultados negativos têm como pano de fundo o próprio recrudescimento da pandemia. Isso faz com que haja maior restrição das pessoas, o que provoca a interrupção das jornadas de trabalho, paralisações de plantas industriais e atrapalha toda a cadeia produtiva, levando ao encarecimento e à falta de insumos para o processo produtivo. Isso afeta o processo de produção como um todo”, diz André Macedo. O pesquisador destaca que, de maio de 2020 a janeiro de 2021, houve ganho acumulado de 40,1%, o que fez a produção industrial superar o patamar pré-pandemia.

“Nesse período, houve um ganho de 3,5% acima do patamar de fevereiro de 2020. Mas, com as perdas de fevereiro e março deste ano, nós zeramos esse acumulado que tinha até o mês de janeiro. De modo que o patamar de março de 2021 é exatamente o mesmo do pré-pandemia”, explica. O segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias, que foi a principal influência negativa, registrou o terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando nesse período de fevereiro e março perda de 15,8%, interrompendo uma sequência de oito meses de taxas positivas que acumularam expansão de 1.196,9%.

Ainda nas influências negativas, destacaram-se as atividades de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-14,1%), de outros produtos químicos (-4,3%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,4%), de couro, artigos para viagem e calçados (-11,2%), de produtos de borracha e de material plástico (-4,5%), de bebidas (-3,4%), de móveis (-9,3%), de produtos têxteis (-6,4%) e de produtos de minerais não metálicos (-2,5%).

Os principais impactos positivos vieram das indústrias extrativas (5,5%), outros equipamentos de transporte (35%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,7%). “Essas atividades estão repondo perdas observadas em meses anteriores. Elas estão com taxas positivas neste mês porque as perdas anteriores foram muito acentuadas e esse é um crescimento natural”, destaca o técnico do IBGE.

A queda de março foi acompanhada por três das grandes categorias econômicas e pela maioria dos ramos pesquisados. A categoria bens de consumo semi e não duráveis caiu 10,2%, a maior perda desde abril de 2020, quando havia registrado -12,6%. Os bens de consumo duráveis (-7,8%) e os bens de capital (-6,9%) intensificaram as perdas registradas no mês anterior. Já o setor produtor de bens intermediários (0,2%) foi o único a registrar taxa positiva.

Efeito-calendário

Na comparação com março de 2020, a produção industrial cresceu 10,5%, a taxa mais elevada desde junho de 2010 (11,2%). Embora seja esse o sétimo mês de crescimento consecutivo nesse indicador, é consequência da base de comparação baixa, já que o setor recuou 3,9% em março de 2020, quando o país já vivia o isolamento social em função da pandemia da covid-19, e do efeito-calendário, porque o mês de março teve um dia útil a mais do que no ano anterior.

Houve resultado positivo em todas as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte das atividades investigadas, como veículos automotores, reboques e carrocerias (19,2%), máquinas e equipamentos (27,5%), produtos de minerais não metálicos (27,7%), produtos de metal (24,5%), produtos de borracha e de material plástico (20,3%) e metalurgia (10,9%). Entre as influências negativas, se destacam coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,1%), atividade pressionada pela queda na fabricação dos itens querosenes de aviação, naftas para petroquímica, álcool etílico e óleos combustíveis.

O segmento bens de capital (29,6%) registrou a maior expansão entre as grandes categorias econômicas, seguido por bens de consumo duráveis (12,0%), bens intermediários (9,9%) e bens de consumo semi e não duráveis (6,2%), aponta o IBGE.

 

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