CONJUNTURA

IFI mantém previsão de crescimento de 3% do PIB em 2021

Relatório de instituição ligada ao Senado vai no sentido contrário ao do mercado, que estima crescimento no Produto Interno Bruto do país este ano. Para o rombo das contas públicas, reafirma previsão de que continuará assim até 2030

Rosana Hessel
postado em 18/05/2021 06:00
 (crédito: Danilson Carvalho/CB/D.A Press)
(crédito: Danilson Carvalho/CB/D.A Press)

Na contramão do mercado, que está projetando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, a Instituição Fiscal Independente (IFI) manteve o avanço do PIB de 2021 em 3%, conforme o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado ontem. A entidade também manteve a previsão de que o governo continuará registrando rombo nas contas públicas, pelo menos até 2030.

“As incertezas quanto à evolução da pandemia e ao ritmo de vacinação necessário para a imunização da população contra a covid-19 e a reabertura ampla e segura da economia adicionam ainda muitas dúvidas ao comportamento prospectivo da atividade econômica”, destacou o documento.

A entidade do Senado revisou de -0,2% para 0,3% a estimativa do PIB do primeiro trimestre, por conta dos indicadores macroeconômicos, que acabaram apresentando quedas menores do que o esperado — principalmente no comércio e na indústria. No cenário otimista, a IFI prevê expansão de 4% do PIB neste ano.

“Preferimos optar pelo conservadorismo no cenário base, porque ainda há muitas incertezas em relação à vacinação e às medidas de restrição ao longo do ano. O primeiro trimestre foi melhor do que o esperado, mas os dados dos trimestres seguintes ainda não garantem essa tendência de dados melhores. Por isso, decidimos incorporar a alta do PIB de 4% apenas no cenário otimista”, explicou o diretor-executivo Felipe Salto.

A IFI prevê que, devido ao aumento de novos créditos extraordinários neste ano para custear medidas adicionais no combate à pandemia, o deficit primário efetivo encerrará dezembro em R$ 266,6 bilhões no ano, ou 3,3% do PIB. A meta fiscal fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) permite um deficit primário de até R$ 247,1 bilhões — ou 3,1%, que era a previsão anterior da instituição. Apesar do aumento da perspectiva do rombo, conforme o relatório, esse objetivo fiscal deverá ser cumprido “em razão dos abatimentos permitidos pelas alterações promovidas na LDO”. Segundo o relatório, “o risco para descumprimento do teto de gastos passou de moderado para baixo”.

Horizonte de deficits

Pelas estimativas da entidade, mesmo no cenário base o governo continuará registrando deficits primários nas contas públicas, pelo menos até 2030. O governo vem contabilizando rombos fiscais consecutivos desde 2014, o que será um desafio para conter o aumento do endividamento.

As projeções para a dívida pública bruta do governo geral também foram revisadas: de 92,7%, em fevereiro, para 91,3% do PIB, este mês, considerando o cenário base de 2021.

“O esforço fiscal para estabilizar a dívida, em três a cinco anos, é calculado em 1,5 ponto a 2,0 pontos percentuais do PIB”, informou a nota da IFI, que aponta dívida pública bruta encerrando 2030 em 99,7% do PIB. No cenário pessimista, considerada uma deterioração econômica e fiscal, com baixo crescimento do PIB, juros mais elevados e deficit primário persistente, a dívida pública poderá chegar a 128,4% do PIB até 2030.

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