IPCA

Inflação avança 0,83% em maio, a maior para o mês em 25 anos

IPCA chega a 8,06% em 12 meses. Com o resultado, o custo de vida permanece bem acima do teto da meta estabelecida pelo BC para 2021 que é de, no máximo 5,25%

Vera Batista
postado em 09/06/2021 10:18 / atualizado em 09/06/2021 10:21
Energia elétrica (5,37%) teve o maior impacto individual no índice do mês (0,23 ponto) -  (crédito: Marcello Casal Jr/ABr - 17/9/12)
Energia elétrica (5,37%) teve o maior impacto individual no índice do mês (0,23 ponto) - (crédito: Marcello Casal Jr/ABr - 17/9/12)

O grupo habitação, provocado, principalmente, pelo custo da energia elétrica, fez a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subir para 0,83% em maio, ou 0,52 ponto percentual acima da taxa de 0,31% registrada em abril, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o custo de vida permanece bem acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central para 2021 que é de, no máximo 5,25% — o o centro da meta é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

“Foi o maior resultado para um mês de maio desde 1996 (1,22%). O acumulado no ano foi de 3,22%, e o dos últimos 12 meses, de 8,06%, acima dos 6,76% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores”, informou o IBGE. O percentual surpreendeu o mercado, que esperava avanço, em maio, de no máximo 0,72%.

De acordo com o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram alta em maio. O maior impacto (0,28 ponto percentual) e a maior variação (1,78%) vieram da habitação, que acelerou em relação a abril (0,22%). A segunda maior contribuição (0,24 ponto) foi dos transportes, cujos preços subiram 1,15% em maio, após recuarem 0,08% em abril.

Na sequência, vieram saúde e cuidados pessoais (0,76%) e alimentação e bebidas (0,44%), com impactos de 0,10 ponto e 0,09 ponto percentual, respectivamente. Já a segunda maior variação no mês foi de artigos de residência (1,25%). Os demais grupos variaram entre 0,06% (educação) e 0,92% (vestuário).

A alta do grupo habitação (1,78%) foi, principalmente, pelo impacto da energia elétrica (5,37%), o maior impacto individual no índice do mês (0,23 ponto). “Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Vale lembrar que, entre janeiro e abril, estava em vigor a bandeira amarela, cujo acréscimo é menor (R$ 1,343). Além disso, no final de abril, ocorreram reajustes em diversas regiões de abrangência do índice”, destaca o IBGE.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio foi de 0,96%, 0,58 ponto percentual acima do resultado de abril (0,38%). Também é a maior variação para um mês de maio desde 2016, quando o índice foi de 0,98%. No ano, o indicador acumula alta de 3,33% e, nos últimos 12 meses, de 8,90%, acima dos 7,59% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2020, a taxa foi de -0,25%, informou o IBGE.

Os produtos alimentícios subiram 0,53% em maio, ficando acima do resultado de abril (0,49%). Já os não alimentícios tiveram alta de 1,10%, contra 0,35% em abril. Todas as áreas investigadas apresentaram variação positiva no mês. O menor índice foi observado em Brasília (0,41%), onde pesaram as quedas nos preços das passagens aéreas (-37,10%) e das frutas (-11,36%). Já a maior variação ocorreu em Salvador (1,25%), dadas as altas nos preços da energia elétrica (10,63%) e da gasolina (8,43%).

 

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