Ibovespa

Exterior positivo e local permitem recuperação do Ibovespa

Ainda que o número de ações em queda tenha aumentado depois, o recuo máximo era de 1% (Ambev ON), com os demais na faixa de 0,10%.

Agência Estado
postado em 24/06/2021 12:46
 (crédito: Foto: Pixabay)
(crédito: Foto: Pixabay)
O Ibovespa sobe no pregão desta quinta-feira e tenta recuperar parte das perdas recentes, seguindo o ambiente externo positivo dos mercados de ações. Nem mesmo o recuo as commodities atrapalha a valorização do índice Bovespa, que até perto de 10h30 registrada alta quase generalizada em sua carteira. Ainda que o número de ações em queda tenha aumentado depois, o recuo máximo era de 1% (Ambev ON), com os demais na faixa de 0,10%.
O Ibovespa, por sua vez, subia 0,69%, aos 129.320,18 pontos, em dia de queda do dólar na faixa de R$ 4,938, e após o índice de ações ter fechado em baixa por dois pregões seguidos.
O investidor local segue de olho no exterior e nas expectativas de avanço na pauta de reformas. Lá fora, por ora, o tom do discurso de um membro do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) é apaziguador, no sentido de avaliar a inflação elevada atual como transitória.
O presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, que vota no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), afirmou que há indícios de que muitos aumentos de preços são temporários. O dirigente estima que o atual salto inflacionário reduza no quarto trimestre.
Os dados informados mais cedo nos EUA foram mistos, mantendo as bolsas americanas em alta. De um lado, o PIB do primeiro trimestre teve alta anualizada de 6,4%, como o previsto. De outro, as encomendas de bens duráveis subiram 2,3% em maio ante abril, ante previsão de 2,6%. Já os pedidos semanais de desemprego caíram 7 mil, a 411 mil, na comparação com expectativa de 380 mil.
No Brasil, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que se o governo enviar o Projeto de Lei para tratar do Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas e de dividendos, hoje, definirá até amanhã os dois relatores da Casa. Segundo ele, as mudanças que devem ser previstas pelo governo sobre o imposto de renda, será a menos polêmica no âmbito das mudanças tributárias no País.
Porém, o dia ainda reserva discursos de outros membros do Fed, assim como o mercado espera a entrevista de imprensa do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e do diretor de Política Econômica do BC, Fabio Kanczuk, às 11 horas, para ter sinais sobre o juro brasileiro, que hoje está em 4,25% ao ano, após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
O documento reforçou a expectativa de nova alta de 0,75 ponto porcentual da Selic em agosto, embora tenha indicado que pode mudar de ideia, dado o avanço da inflação, em meio a pressões como a da crise hídrica.
Após a ata do Copom mais 'hawkish', a equipe do BTG Pactual digital entende que a piora no cenário inflacionário pode levar o Comitê a exercer um movimento mais acelerado de redução dos estímulos monetários. "Acreditamos em elevação da taxa Selic em 100bps em agosto, para 5,25%, e para 7,5% até o final de 2021", cita em relatório.
A despeito do sinal de novo aumento de 0,75 ponto porcentual em tese ser desfavorável para ações do setor de consumo, não é novidade, o que pode passa despercebido, e ainda com o investidor mantendo foco na recuperação econômica, em meio ao avanço da vacinação contra a covid. O índice que mede o setor de consumo na Bolsa brasileira subia 1,36% às 10h45.
De acordo com Pietra Guerra, analista da Clear Corretora, as atenções devem ficar concentradas nas revisões das projeções do BC para atividade e inflação, que vieram mais fortes no RTI. Ou seja, apontando riscos assimétricos. Segundo ela, essa visão pode ser um reforço para o mercado elevar suas apostas de uma Selic mais elevada nas próximas reuniões. "Pode pesar em alguns setores que dependem de financiamento de longo prazo, mas como temos visto retomada mais positiva nas ações de consumo, essa ideia de recuperação pode prevalecer no curto prazo", avalia.
De certa forma, o RTI não traz efetivamente nada de muito novo e reforça as perspectivas positivas para a retomada econômica, como tem reagido as ações do setor de consumo, de varejo, menciona a analista. "A dúvida é quanto tempo isso vai durar, até quando essa inflação continuará acelerando?", questiona, acrescentando que esse temor de influência de riscos hídricos na inflação pode ser que pese mais para frente. "O que está reverberando agora é mais o foco na retomada", reforça.
Nem mesmo a queda em torno de 0,50% do petróleo no exterior, após altas, impede elevação - ainda que moderada (perto de 0,20%) - das ações da Petrobrás. Já o recuo do minério de ferro empurra os papéis da Vale (-0,41%) para o campo negativo. A commodity fechou em queda de 1,18% em Qingdao, na China, cotado a US$ 213,46 a tonelada. O declínio ocorre a despeito da informação de que a mineradora elevou o valor de dividendo a ser pago em 30/6 para R$ 2,189.
 

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