Energia

Hidroelétricas já geram 1/3 da energia no País

Os registros oficiais mostram que, na última década, ocorreram apenas três ocasiões em que as térmicas responderam, sozinhas, por um terço da produção diária de energia.

Agência Estado
postado em 22/07/2021 13:27 / atualizado em 22/07/2021 13:27
 (crédito: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 19/1/15)
(crédito: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 19/1/15)
A necessidade de reter água nos reservatórios das hidrelétricas tem produzido um volume recorde no consumo diário de energia gerada de fontes térmicas. Na segunda-feira, de cada 100 lâmpadas acesas no Brasil, 32 se alimentam da queima de gás, óleo diesel, biomassa e carvão, além da fonte nuclear.
Trata-se de um volume recorde. Os registros oficiais mostram que, na última década, ocorreram apenas três ocasiões em que as térmicas responderam, sozinhas, por um terço da produção diária de energia. Os dados apurados pela reportagem no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que esse cenário se deu em apenas alguns dias nos anos de 2014, 2015 e 2017, atingindo, no máximo, 32%.
Para se ter uma ideia do que isso significa, em cenários normais de geração, as térmicas costumam responder por cerca de 20% a 25% da produção diária de energia, enquanto a produção hidrelétrica atende, em média, mais de 65% do consumo diário. Nestes tempos, porém, em que o Brasil atravessa a pior seca dos últimos 91 anos, a geração hídrica tem ficado na casa dos 50%.
O cenário mostra que a pressão sobre a geração térmica só não está maior porque, na última década, o País passou a construir parques eólicos. A produção de energia do vento, que até cinco anos atrás tinha papel coadjuvante na matriz elétrica nacional, hoje tem respondido por até 16% do fornecimento diário de cada watt gerado para manter o País ligado.
Questionado sobre o assunto, o ONS afirmou que o acionamento máximo das usinas térmicas - que são mais caras para o consumidor, além de mais poluentes - é uma "medida excepcional" e que faz parte das ações aprovadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) "para atravessarmos a atual crise hídrica".
Limite
Na tentativa de armazenar o máximo possível de água nos reservatórios para atravessar o período seco, que só acaba no fim de novembro, o acionamento das térmicas está próximo do limite, o que levou o ONS a sair em busca de usinas paradas por problemas técnicos, por falta de combustível ou manutenção, para que entrem em atividade o quanto antes.
Hoje, o Brasil tem um total de 22 mil megawatts (MW) de capacidade de geração térmica para utilizar. No dia a dia, porém, tem contado com cerca de 16 mil MW desse total, porque cerca de 6 mil MW estão indisponíveis, por uma série de restrições. "O operador monitora permanentemente a disponibilidade dos recursos energéticos do Sistema Interligado Nacional", declarou o ONS.
O consumidor de energia já sente, há meses, o impacto das térmicas em sua conta de luz. Em junho, a energia elétrica foi o item que mais pressionou a inflação. Com a gasolina, respondeu por 25% da inflação de 0,53% no período.
Tarifas
Com o agravamento da crise, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reajustou em 52% a bandeira tarifária, taxa embutida nas contas de luz. A bandeira vermelha patamar 2, que é a mais cara, passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh).
Esse uso intensivo das usinas termoelétricas deve custar um total R$ 13,1 bilhões até novembro deste ano aos consumidores, uma estimativa 45% superior ao valor previsto em junho pelo Ministério de Minas e Energia. O montante deve levar a um aumento adicional superior a 5% no custo da energia, a ser repassado para as tarifas no próximo ano.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 

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