CARESTIA

IPCA-15 registra maior percentual para julho desde 2004

Prévia do índice oficial este mês foi de 0,72%, menor que o registrado em junho, mas ainda alta por causa do aumento na conta de energia elétrica. Em 12 meses, indicador acumula elevação de 8,59%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que apresenta uma prévia ao índice oficial do país, registrou 0,72% de inflação em julho, 0,11 ponto percentual (p.p.) a menos do que no mês passado (0,83%). Apesar da queda, a variação é a maior para o mês desde 2004, quando o índice foi de 0,93%. O IPCA-15 de maio registrou 0,44% e, desde junho, quando vigorou a bandeira tarifária vermelha patamar 2 nas contas de energia, o percentual quase dobrou.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de habitação, que inclui os gastos com conta de energia elétrica, foi o que teve maior impacto (0,33 p.p.) e a maior variação (2,14%) no resultado. Contudo, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, quase todos tiveram alta de preços em julho.

“A segunda maior contribuição veio dos transportes (1,07% e 0,22 p.p.), embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior (1,35%). Na sequência, veio o grupo alimentação e bebidas (0,49%), cujo resultado ficou acima do IPCA-15 de junho (0,41%) e contribuiu com 0,10 p.p. no índice do mês. O grupo saúde e cuidados pessoais (-0,24%), por sua vez, apresentou queda em relação ao mês anterior e contribuiu com -0,03 p.p. no índice geral. Os demais grupos ficaram entre o -0,04% de comunicação e o 0,81% de artigos de residência”, diz notícia divulgada pelo IBGE, nesta sexta-feira (23/7).

Com a nova prévia, o índice acumula alta de 4,88% no ano e, em 12 meses, de 8,59% (acima dos 8,13% observados nos 12 meses imediatamente anteriores). Em julho do ano passado, a variação havia sido de 0,30%.

Saiba Mais


Conta de luz deve continuar alta

A conta de energia elétrica, que já estava sob a cobrança da bandeira vermelha II em junho deste ano, sofreu novo aumento, após reajuste de 52% dessa bandeira tarifária por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O reajuste passou a vigorar no dia 1º deste mês, e o valor adicional da atual bandeira cobrada passou de R$6,243 para R$9,492 a cada 100 kWh consumidos. Com o aumento, especialistas apontaram que o custo da energia para o consumidor subiria 5%, mas a alta é variável, de acordo com o padrão de consumo. A bandeira vermelha 2 foi acionada em razão da atual crise hídrica, a pior já registrada em 90 anos, que demanda custo extra com usinas termelétricas, repassado na conta de luz. A previsão é de que a pior fase da crise hídrica ainda virá no último trimestre de 2021, e  a conta poderá aumentar ainda mais.