Inflação

Ruídos domésticos impactam projeções de crescimento para 2022, diz Campos Neto

Segundo presidente do Banco Central, contudo, incertezas sobre equilíbrio fiscal vão diminuir quando governo der mais informações sobre novo programa Bolsa Família, intitulado Auxílio Brasil

Vera Batista
postado em 19/08/2021 15:15 / atualizado em 19/08/2021 15:16
 (crédito:  Alessandro Dantas)
(crédito: Alessandro Dantas)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reafirmou que ruídos envolvendo questões domésticas têm afetado as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país), para 2022, e jogado as expectativas para baixo. E isso, segundo ele, vem acontecendo no mundo inteiro, com exceção da China, que foi considerado um caso à parte. Campos Neto assegurou, contudo, que o processo tem sido acompanhado de perto pelo BC.

Ele também destacou que a pública brasileira já estava alta, mesmo antes da pandemia, mas avaliou que, agora, o quadro brasileiro está melhor do que o esperado. Contudo, afirmou que “quando olhamos para o nível, ainda é muito elevado”. Campos Neto admitiu que a persistente alta da inflação surpreendeu a autoridade monetária, e que isso está sendo olhado com atenção.

As estratégias de combate à alta do custo de vida — fenômeno que ocorre em todo o mundo — estão sendo divulgadas ao mercado. E, se necessário, o BC manterá a política de alta de juros, avisou o presidente da autarquia. “Acho que o BC precisa agir”, reforçou. Mas o que deverá acalmar as expectativas dos agentes financeiros em relação à inflação, ao ajuste fiscal e ao crescimento econômico, na análise de Campos Neto, vai ser a forma como o governo vai equilibrar as contas públicas.

“Acho que tem incertezas. Tem que ser dimensionadas. Quando o governo explicar o que vai ser o Bolsa Família, que não vai quebrar o equilíbrio fiscal, vai esclarecer certas incertezas”, afirmou. O futuro do chamado Auxílio Brasil, que substituirá o Bolsa Família, com orçamento de R$ 53 bilhões, em 2022 — R$ 18 bilhões a mais do que os R$ 35 bilhões do atual —, tem sido motivo de preocupação dos investidores, após o governo ter ameaçado furar o teto dos gastos.

Retomada

Ao participar do evento on-line Council of Americas, o presidente do BC tentou acalmar o mercado sobre o teto dos gastos. Campos Neto também citou que, embora o Brasil tenha começado tarde o processo de imunização contra a covid-19, a vacinação avança no país e os idosos já estão imunizados, o que vai ser importante para a retomada da economia. “Temos condições para crescer”, destacou.

As decisões de política monetária, de acordo com ele, também estão levando em conta a crise energética e climática, que criou a necessidade de usar menos as hidrelétricas, mais baratas, e substituí-las por termoelétricas. Ele falou também sobre os desafios de atrair investimentos e empregos no Brasil.

Para Campos Neto, embora bastante concentrado na informalidade, o mercado de trabalho vem criando vagas, como tem sido apontado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), “que reflete melhor a realidade”, disse. Ele citou, inclusive, o aumento da expansão do crédito para pequenas empresas, o que pode ajudar na abertura de novas vagas.

Digitalização

Os programas do BC vão facilitar o acesso mais fácil e mais rápido de grande parte da população aos bancos ou fintechs, segundo Roberto Campos Neto. Questionado no evento on-line Council of Americas sobre o real digital, o presidente do BC citou vários novos serviços que foram ou que estão sendo criados, como Pix, Open Banking e Open Finance. As inovações acarretam queda nos custos e ampliam o acesso, pontuou.

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