CONJUNTURA

PIB: alta menor que 1% em 2022

Seguindo tendência de outras instituições financeiras, Itaú Unibanco reduz a 0,5% projeção de crescimento da economia no próximo ano

Fernanda Fernandes
postado em 14/09/2021 23:14

O Itaú Unibanco revisou para baixo as projeções para o crescimento econômico brasileiro. Para este ano, a instituição reduziu o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do país de 5,7% para 5,3%. Já para 2022, a estimativa foi enxugada em dois terços do valor anterior, de 1,5% para 0,5%. O relatório do Itaú, divulgado, ontem, para clientes, demonstra os impactos da crise política na economia.

Segundo o Itaú, as projeções foram reduzidas mesmo considerando o avanço da campanha de vacinação, que deverá recuperar o ritmo de parte da atividade econômica ainda este ano. “O principal risco a considerar é o surgimento de variantes do vírus que afetem a eficácia das vacinas aqui aplicadas”, ressalta a instituição.

O aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 5,25% ao ano, deverá pesar para o crescimento menor da economia, na estimativa do Itaú. A instituição prevê que o BC promoverá mais três aumentos de 1 ponto percentual na taxa, neste ano, e um quarto aumento, de 0,75 ponto, que fará com que a Selic alcance 9% anuais em 2022.

Ontem, em um evento promovido pelo BTG Pactual, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que, diante da aceleração dos índices de inflação, não haverá limites para a elevação da taxa básica de juros. “Vamos levar a Selic até onde precisar, mas não vamos reagir sempre a dados de alta frequência”, disse.

O Itaú Unibanco é mais uma instituição financeira a engrossar o coro daquelas que estimam crescimento econômico abaixo de 1% em 2022. O JP Morgan projeta avanço de 0,9%. A MB Associados fala em incremento do PIB de apenas 0,4%. Já o Banco Haitong prevê 1% e o Banco Safra, 1,1%.

Serviços crescem em julho

O setor de serviços cresceu 1,1% na passagem de junho para julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a quarta taxa positiva seguida, acumulando, no período, ganho de 5,8%. Com isso, o setor está 3,9% acima do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020, e também alcança o patamar mais elevado desde março de 2016. Mesmo assim, o setor ainda está 7,7% abaixo do recorde histórico, alcançado em novembro de 2014. Na comparação com julho de 2020, o volume de serviços avançou 17,8%, quinta taxa positiva consecutiva.

Segundo o IBGE, o resultado de julho foi puxado por apenas duas das cinco atividades, em especial, pelos serviços prestados às famílias (3,8%), que acumulam ganho de 38,4% entre abril e julho.

O desempenho reflete a maior movimentação de pessoas, após o avanço da vacinação, que permite retomada de atividades de estabelecimentos como hotéis e restaurantes, por exemplo. “Já os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 0,6%, com crescimento de 4,3% nos últimos três meses, e superaram, pela primeira vez, o patamar pré-pandemia, ficando 0,5% acima de fevereiro de 2020”, explicou o instituto.

Com impactos negativos no índice geral, houve recuo nos serviços de informação e comunicação (-0,4%); transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-0,2%); e os outros serviços (-0,5%).

“A atividade que mais pressionou negativamente foram os serviços de informação e comunicação. Os segmentos de telecomunicações e serviços de tecnologia da informação apresentaram taxas positivas, mas houve uma pressão muito significativa da parte de audiovisual, edição e agências de notícias, que recuaram 11,6% na passagem de junho para julho”, explicou o analista da PMS, Rodrigo Lobo.

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