INFLAÇÃO

Copom se reúne nesta terça-feira e taxa Selic pode ir a 6,25%

Mercado financeiro prevê mais um reajuste de 1% na taxa básica de juros pelo Banco Central. Reunião de estende até amanhã

Fernanda Fernandes
postado em 21/09/2021 08:53
 (crédito: Adauto Cruz/CB/D.A Press - 23/8/08)
(crédito: Adauto Cruz/CB/D.A Press - 23/8/08)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne, terça (21/9) e quarta-feira (22/9), para revisar os principais indicadores da economia, incluindo a taxa básica de juros (Selic). Na última reunião do comitê, no início de agosto, o reajuste da Selic foi de 1%, elevando de 4,25% para 5,25% a taxa básica. O novo reajuste esperado pelo mercado financeiro após o encontro do Comitê esta semana é o mesmo e, se confirmado, elevará a taxa a 6,25%.

"Vai subir 1% e a gente espera que o Copom indique outra alta de 1%. Depois disso, deve ir desacelerando, até chegar nos 8,5% no fim do ano. Esperamos uma alta de 0,75% na última reunião do ano e uma de 0.5% na reunião de janeiro", explica Tomás Goulart, economista-chefe da Novus Capital, instituição com menor margem de erro para a taxa Selic no último mês, de acordo com o relatório Focus.

Os economistas do mercado financeiro elevaram pela 24ª vez consecutiva a previsão para a inflação e juros em 2021. Os operadores acreditam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) -- a inflação oficial do país -- atinja pelo menos 8,35% no fim do ano. Já para a Selic, a expectativa é de que chegue a 8,25%, segundo a mediana do Focus, divulgado ontem pelo BC.

“Nós acreditamos que a Selic será levada a 8,5%, mas em janeiro. Para ir além disso, teriam que ter novas surpresas para cima na inflação, e abaixo de 8,5% a gente considera difícil”, afirma Goulart.

A última divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou alta na inflação de 0,87% em agosto, a maior para o mês desde o ano 2000. Com isso, o indicador acumula variação de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses.

Segundo os especialistas do mercado, o valor do câmbio este ano deverá se manter em R$ 5,20/US$. O relatório Focus também manteve a taxa de variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, em 5,04%. Já para 2022, esse cenário muda, e os economistas das instituições financeiras esperam mais redução, de 1,72% para 1,63%. Há quatro semanas, essa variação era de 2%. As expectativas para inflação e juros no próximo ano aumentaram de 4,03% para 4,10% e de 8% para 8,5%, respectivamente.

“Em 2022 tudo indica que vai ficar um pouco abaixo do projetado no Focus atualmente. Primeiro, porque está subindo a taxa de juros e, historicamente, a gente sabe que de 9 a 18 meses depois que isso ocorre, a inflação cai. O inverso também vale. Nossa projeção de PIB para 2022 é de 1%, justamente devido a essa subida de juros que irá arrefecer a atividade econômica”, explica o economista da Novus Capital.

Em uma visão otimista se comparado a outros economistas do mercado, Goulart acredita que o país deverá sentir algum alívio na inflação ainda este ano, a partir de novembro. “A gente espera que muito provavelmente outubro vai continuar bem alta inflação, mas à medida que forem chegando novembro e dezembro, a gente deve ver um arrefecimento e ter algum refresco que vai ajudar no ano que vem, mas até lá, tem espaço ainda para revisão altista de inflação de curto prazo", ressalta.

Camila Abdelmalack, economista chefe da Veedha Investimentos, explica que o futuro para os próximos meses é imprevisível, por envolver outras questões que vão além do controle do Banco Central. “Temos a questão da crise hídrica que não sabemos como e até quando vai afetar preços. Está tudo encadeado e a gente deve ver ainda revisões para cima na inflação, impulsionadas também pelos preços de serviços que irão acelerar no segundo semestre”, alerta.

Com o novo reajuste na Selic esperado esta semana, a taxa básica de juros ultrapassará o limite superior da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional no início do ano, que era de no mínimo 2,25% e o no máximo 5,25%. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem demonstrado em seus discursos mais recentes que não medirá esforços para conter a inflação.

“Vamos usar todo instrumento existente, na medida em que for preciso, para que as inflações fiquem ancoradas no médio e longo prazo”, afirmou Campos Neto, em uma dessas ocasiões.

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