COMBUSTÍVEIS

Presidente do BC critica Petrobras por repasse de preços acelerado

Aumento no país ocorre "muito mais rápido" do que em outros países, disse Campos Neto, nesta terça-feira (14/9), ao comentar a política de preços da estatal. Paralelamente, o presidente da Petrobras, Silva e Luna, culpou o ICMS pela constante alta dos preços na Câmara dos Deputado

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, critica a Petrobras por repassar os reajustes de commodities (produtos básicos, incluindo o petróleo) nos preços dos combustíveis de forma muito mais acelerada do que o observado no restante do mundo. "A Petrobras repassa preços muito mais rápido do que ocorre em outros países", disse, nesta terça-feira (14/9), durante evento promovido pelo BTG Pactual Digital.

Desde o governo do ex-presidente Michel Temer, a política de preços de combustíveis da Petrobras é de que o repasse seja páreo com o mercado internacional. Com isso, os reajustes da estatal passaram a ser diretamente influenciados pelo valor do barril de petróleo no mercado internacional e pela valorização cambial.

Paralelamente à apresentação de Campos, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, participou de audiência na Câmara dos Deputados, sobre a responsabilidade da estatal no preço dos combustíveis. A comissão para debater o preço da gasolina, do diesel e do álcool foi convocada pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), na segunda-feira (13).

“Tudo caro: gasolina, diesel, gás de cozinha. O que a Petrobras tem a ver com isso? Amanhã, a partir das 9h, o plenário vira Comissão Geral para questionar o peso dos preços da empresa no bolso de todos nós. A Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas”, informou Lira por meio das suas redes sociais.

Aos parlamentares, Silva e Luna afirmou que a Petrobras tem acompanhado a situação da atual crise energética do país.“Quero mostrar como a empresa contribui com o Brasil: não estamos alheios a absolutamente nada; estamos aqui para discutir a crise energética”, disse.

Para ele, a Petrobras contribui com o Brasil ao  “ser uma empresa forte, poder fazer investimentos muito bem selecionados e ter uma firme governança, evitando qualquer desvio e qualquer ação que não seja no sentido de somar o foco no que ela faz de melhor”.

O presidente da estatal afirmou que, considerando um valor atual de R$ 6 no litro da gasolina, o valor correspondente à Petrobras é equivalente a R$ 2. “Entra a parcela da Petrobras para cobrir custo de produção e refino do óleo, investimentos, juro da dívida, impostos e participações governamentais”, pontuou.

Seguindo a retórica do governo, Silva e Luna falou sobre a parcela de responsabilidade sobre os altos preços dos combustíveis que correspondem aos impostos estaduais e federais, sendo o ICMS o principal vilão, segundo ele. “Destes, o que afeta, porque impacta todos os outros, é o ICMS. Quando há flutuação no preço não significa que a Petrobras teve alteração no preço”, pontuou.

Botijão de gás

Silva e Luna também falou sobre o preço do botijão de gás. Segundo ele, o valor da Petrobras sobre o item é de 50% do total. “A outra parcela, que não é Petrobras, inclui envase, distribuição e revenda e impostos estaduais. Não incide sobre isso impostos federais.”, explicou.

Além do preço cobrado de ICMS e do valor correspondente à Petrobras, o valor dos combustíveis é composto pelos tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e Cide), e pelo custo de distribuição e revenda. Nos casos de etanol, ainda adiciona-se anidro na gasolina, e no diesel, o biodiesel.

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