Banco Central

Fernanda Guardado: Temos objetivo de conter segunda rodada de inflação

Segundo a diretora de assuntos internacionais do BC, a piora no cenário fiscal é temporária e as necessidades de gastos extras com a pandemia é menor à frente

Agência Estado
postado em 11/10/2021 16:42
Diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos - DirexFernanda Guardado -  (crédito: Raphael Ribeiro/BCB)
Diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos - DirexFernanda Guardado - (crédito: Raphael Ribeiro/BCB)

A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Fernanda Guardado, disse que a autoridade monetária trabalha para conter uma "segunda rodada" de inflação. "Nossa intenção é trazer a inflação para a meta em 2022. Faremos tudo o que pudermos para trazer a inflação para a meta ano que vem", afirmou.

Em evento virtual paralelo à Reunião Anual do Fundo Monetário Internacional, Guardado acrescentou que ainda há muitas incertezas relacionadas à pandemia, o que deixa o trabalho do Banco Central ainda mais desafiador.

"Nosso principal trabalho é manter a inflação controlada. Claro que haverá consequências para o crescimento, mas controlar inflação é importante para crescimento no longo prazo", completou.

Guardado disse que expectativas negativas estão impactando o câmbio no Brasil e na região e que o aumento dos juros tem efeito no câmbio. "A inflação está concentrada em alimentos e energia. Pressões inflacionárias são temporárias. Está demorando mais do que imaginávamos, mas não acho que será uma fonte permanente", ponderou.

A diretora disse ainda que a piora no cenário fiscal durante a pandemia é temporária e que as necessidades de gastos extras com a pandemia é menor à frente. Ela completou que as incertezas no cenário fiscal tiveram impacto nas expectativas de inflação. "Até agora o fiscal tem sido bem 'ok', receitas vindo acima do esperado", completou.

Guardado previu um aumento nos preços dos serviços com a reabertura da economia, mas disse que, com a taxa de desemprego alta, há uma margem para conter esse encarecimento. Ela ressaltou que os países têm saído da pandemia com um endividamento maior, o que pode ser um desafio adicional para o crescimento econômico. "Temos que focar nos fundamentos para enfrentar endividamento maior."

Questionada, a diretora admitiu que a desaceleração da China pode afetar as exportações brasileiras, mas disse que 2020 e 2021 até agora tem sido um bom ano.

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