INFLAÇÃO

Banco Central aposta em 2022 para combater estagflação

Diretor de política econômica da autarquia acredita que "inércia inflacionária" pode ser evitada direcionando políticas monetárias para o próximo ano

Fernanda Fernandes
postado em 13/10/2021 14:00 / atualizado em 13/10/2021 14:01
 (crédito: Geraldo Magela/Agencia Senado)
(crédito: Geraldo Magela/Agencia Senado)

Os dirigentes do Banco Central (BC) parecem estar alinhados ao afirmarem que o foco da autarquia para a recuperação econômica está em 2022. O diretor de política econômica do BC, Fabio Kanczuk, afirmou, nesta quarta-feira (13/10), que os rumos da economia brasileira deverão ser guiados por meio de políticas monetárias que olhem para o próximo ano.

Em outras palavras, Kanczuk admitiu não acreditar em uma recuperação para 2021. Segundo o diretor, a política monetária deve “saber o que deve fazer a respeito do horizonte e para onde deve olhar". A afirmação foi feita durante evento virtual promovido pelo banco HSBC, com o tema “2022 é para onde estamos realmente olhando”. Na ocasião, Kanczuk reconheceu que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem olhado mais a inflação do ano que vem, como forma de evitar o fortalecimento da inércia inflacionária, uma estagflação.

O diretor destacou que especialistas têm criticado a elevação demasiada da Taxa Básica de Juros (Selic) este ano, o que pode retrair a “inflação em prazo mais longo”, além das expectativas, o que faria com que o BC precisasse cortar juros para interromper a desaceleração demasiada da inflação. Ainda segundo o diretor, a trajetória de preços acima de 10% pode trazer mais incertezas sobre uma inércia inflacionária.

Na última semana, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a autarquia está focada no próximo ano. "A mensagem é clara que estamos olhando para 2022", disse o presidente do BC, em live promovida pelo Itaú BBA.

Kanczuk admitiu que “essa talvez seja a discussão mais importante no Brasil agora em termos de política monetária: o que você deve fazer a respeito do horizonte e para onde deve olhar”. O diretor ressaltou também que o setor de serviços “olhará para toda a inflação” para reajustar seus preços. “Será uma inflação mais geral que afetará a inflação de serviços”, informou.

 

 

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