Conjuntura

Campos Neto diz ser "possível" ter inflação no centro da meta em 2022

Presidente do Banco Central afirma que a queda no custo de vida, no entanto, só será possível sem surpresas adicionais

Vera Batista
postado em 15/10/2021 19:25 / atualizado em 15/10/2021 19:56
 (crédito: Raphael Ribeiro/BCB - 24/9/20)
(crédito: Raphael Ribeiro/BCB - 24/9/20)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que será possível cumprir a meta (3,7%) de inflação em 2022, e fará o que considera necessário para conter a alta de preços — leia-se novos aumentos sucessivos da Taxa Básica de Juros (Selic). Mas o respeito à meta inflacionária somente se concretizará se não houver outro choque que surpreenda e mude as expectativas. “Achamos que é possível fazer nosso trabalho com o ritmo que estamos levando agora, a não ser que outro choque apareça. Nosso alvo é 2022 e faremos de tudo para levar a inflação à meta“, afirmou Campos Neto, durante evento online do Goldman Sachs.

Em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou uma escalada da Selic, à época em 2% ao ano. De lá para cá, a taxa básica de juros chegou a 6,25% anuais. E há a perspectiva de se aumentar mais 1 ponto percentual na próxima reunião, no fim do mês. Analistas apostam em novo acréscimo na mesma proporção no encontro de dezembro, elevando a Selic para 8,25%. “A taxa final é mais importante do que o ritmo de alta. Há uma incerteza à nossa frente ainda, e preferimos ter mais tempo para analisar as decisões em vez de fazer mais rapidamente. Temos esse trade off que nos sinaliza que é melhor continuarmos com o mesmo ritmo”, explicou o presidente do Banco Central.

Desvalorização do real

Campos Neto deixou claro que a contínua alta do dólar, mesmo após intervenções e vendas na quarta e na quinta-feira de contratos de swap cambial (venda de dólar no mercado futuro), faz parte do sistema de câmbio flutuante. "O que é importante é como isso alimenta a inflação e as expectativas de inflação, que são nossos alvos", afirmou o chefe da autoridade monetária. Segundo ele, o BC apenas interfere na política cambial em caso de mau funcionamento do mercado.

‘Nunca interferiremos em curto prazo, tempo real. Seria para ter um resultado em alguns dias”, completou. Campos Neto também relembrou questões técnicas, como a demanda de US$ 17,4 bilhões este ano em função do overhedge (sobrecarga) dos bancos. Além disso, afirmou que, sempre que há incertezas sobre as soluções fiscais, o mercado “precifica de acordo”.

O presidente do Banco Central comentou também que o aumento do endividamento do país pode explicar o descolamento da taxa de câmbio brasileira e a de outros países exportadores de commodities. “É um tema que precisa de estudo. Isso pode estar relacionado ao alto nível de endividamento. Explica um pouco o choque nos produtores de commodities”, argumentou.

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