Comércio exterior

Preço da carne no Brasil segue alto, apesar do impasse com a China

A expectativa era de que o preço do produto caísse para o consumo interno em razão do bloqueio das exportações brasileiras. Em Brasília, lojistas e mercados ainda trabalham com promoções pontuais

Tainá Andrade
postado em 22/10/2021 00:26 / atualizado em 22/10/2021 00:36
 (crédito: Rodrigo Nunes/CB/D.A. Press)
(crédito: Rodrigo Nunes/CB/D.A. Press)

Passados pouco mais de 45 dias da suspensão da exportação de carne bovina do Brasil para China, por causa do aparecimento de casos suspeitos da vaca louca em Minas Gerais e Mato Grosso, o mercado interno e externo do país atravessa um momento de incerteza. Uma das expectativas era de que o impasse nas exportações provocasse uma queda de preços no mercado doméstico. Mas ainda vai demorar para esse gênero alimentício voltar ao prato das famílias brasileiras. 

Gustavo Fröner, 45 anos, é empreendedor no ramo de carnes artesanais. Ele vende 60 kg de carne de boi por semana. Ele conta que a redução nos preços do produto está lenta. “A carne veio subindo para uns R$ 0,50 por semana, mas há uns dois meses estagnou, por conta da safra de gado no pasto. Agora começou a descer muito lentamente, R$ 0,20 por semana”, observa o empresário.

Ele acredita que o valor vai baixar mais, mas não será rapidamente. “Quando ‘empaca’ a carne nos frigoríficos, eles seguram o valor até o final. Faltando mais ou menos 15 dias para o vencimento, eles fazem promoções”, explica.

Cliente na loja

Anderson Barbosa, subgerente de um mercado de pequeno porte na Asa Sul, constatou um aumento de preço nas carnes bovinas de setembro pra outubro. Apesar de o estabelecimento ter o hábito de realizar promoções na primeira quinzena de cada mês, nem todos os tipos de cortes tiveram redução de preço. Enquanto a alcatra e o contra-filé ficaram em R$ 29,45 — segundo ele, o preço médio de mercado é R$ 35 —, a picanha foi de R$ 49 a R$ 59 em um mês.

“Não percebi a diminuição de preço. Pra essa loja específica, a gente mantém a oferta do dia primeiro ao dia 15 porque a gente tem prazo maior para pagar, então conseguimos manter nosso cliente dentro da loja. Mas se fôssemos colocar realmente o preço pelo qual deve ser vendido, nosso cliente, realmente, fugiria”, comenta.

“Às vezes a gente sofre por um lado, mas ganha no outro, sempre com o cliente dentro da casa. A margem participativa não é rentável para empresa, mas para sempre ter o cliente aqui, costumamos manter esses preços”, conclui.

Negociação urgente

Para o mestre em direito econômico e desenvolvimento Dylliardi Alessi, o impacto da suspensão com o comércio chinês é grande, pois o país é um mercado fundamental para o Brasil. Ele destaca as quedas de ações que grandes empresas do setor, como JBS e Marfrig, podem sofrer mesmo que o produto tenha maior aceitação no mercado interno. Segundo Alessi, as companhias perdem porque as operações internas são menores. “Para garantir os interesses da indústria e dos pecuaristas, é fundamental que o governo brasileiro urgentemente negocie com Pequim pelo fim da suspensão", afirma.

Procurado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, informou, em nota, que “o governo brasileiro aguarda o posicionamento da China sobre a retomada das exportações”. Os negócios foram paralisados em 4 de setembro.

 

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