CONSTRUÇÃO CIVIL

Baixa qualificação emperra contratações, diz levantamento da Cbic

De acordo com pesquisa, 59,81% das empresas disseram que falta qualificação do profissional para contratação, enquanto 56,07% responderam que faltam profissionais para a mão de obra demandada

Levantamento feito pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) aponta que 77% das empresas do setor estão com dificuldade para contratar mão de obra. Entre as principais causas, as empresas apontam o baixo número de profissionais qualificados para exercer as funções demandadas.

Na pesquisa, realizada em setembro de 2021, 59,81% das empresas disseram que falta qualificação do profissional para contratação, enquanto 56,07% responderam que faltam profissionais para a mão de obra demandada. E 28,97% das empresas disseram que o valor da remuneração pedida pela mão de obra estava muito alto.

Para o presidente da Cbic, José Carlos Martins, o problema está relacionado ao crescimento do mercado e aos novos sistemas construtivos, que exigem profissionais não disponíveis hoje no mercado. Segundo ele, isso se deve à falta de capacitação dos trabalhadores.

Entre os trabalhadores que o setor de construção mais tem dificuldade de contratar se destacam os profissionais de gestão de obra — mais de 65% das empresas dizem que está muito difícil empregar mestres de obras. Já os encarregados, que também fazem gestão da construção, são apontados por 48,04% das empresas.

O presidente da Comissão de Política de Relações Trabalhistas da Cbic, Fernando Guedes, explicou que a função de mestre de obras demanda credibilidade, que leva tempo para se construir, o que limita a oferta desses profissionais. “O mestre de obras não precisa, apenas, ser qualificado tecnicamente, mas também ter experiência em gestão e a confiança do empregador. Normalmente, ele permanece muitos anos na empresa e não circula muito, diferentemente de outros profissionais de construção. É por isso que há uma dificuldade muito grande de contratação desse profissional, especialmente com a qualificação que é necessária hoje”, disse.

Entre outros profissionais qualificados, 55% das empresas alegaram muita dificuldade na contratação de carpinteiros. Na sequência, o pedreiro aparece com 46% das menções. Por outro lado, não há grande dificuldade em contratar mão de obra não qualificada. Apenas 14,85% das empresas consultadas disseram ser muito difícil empregar meio-oficiais, e 62,5% afirmaram ser pouco difícil contratar serventes de pedreiro.

Apesar de a qualificação ser um elemento que valoriza a mão de obra, as empresas não demonstram dificuldade para contratar engenheiros — somente 24,24% responderam ser muito difícil contratar esse tipo de profissional.

A pesquisa também aponta que, apesar de se queixar da qualificação da mão de obra, a maioria das empresas (52%) não oferece programas de treinamento. “Um dos fatores pelo qual a maioria das empresas não se interessa por qualificar o profissional, é porque elas qualificam o trabalhador jovem e ele vai para informalidade. Nós temos que formalizar mesmo que seja o autônomo, e colocá-lo como profissional capacitado e preparado para se desenvolver”, disse o presidente da Cbic, José Carlos Martins.

Por fim, a pesquisa elegeu os “problemas típicos” que levaram o setor a ter dificuldade na contratação de mão de obra. Segundo Fernando Guedes, empresas e empregados precisam se conscientizar da importância da qualificação, mas, hoje, o programa oficial é inadequado para construção, e a carga horária, inconveniente para os empregados. “Na maioria das vezes o empregado sai de casa de madrugada para realizar um trabalho braçal, cansativo. Chega no fim do dia, ele não vai sair do canteiro de obra para ir à sala de aula aprender e se qualificar”, disse Guedes.

*Estagiários sob a supervisão de Odail Figueiredo

Mão de obra disputada

Profissionais que as empresas mais têm dificuldade de contratar:


Mestre de Obras
Muito difícil 65%
Difícil 22,5%
Pouco difícil 11,76%

Carpinteiro
Muito difícil 55,10%
Difícil 26,53%
Pouco difíci 18,37%

Encarregado
Muito difícil 48,04%
Difícil 22,5%
Pouco difícil 14,71%

Pedreiro
Muito difícil 46,53%
Difícil 36,63%
Pouco difícil 16,83%

Fonte: CBIC

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