Bolsa oscila e dólar sobe com tensão política

Correio Braziliense
postado em 09/11/2021 00:01
 (crédito: Pixabay)
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Com o acirramento da tensão entre Judiciário e Legislativo, e a expectativa pelo segundo turno de votação da PEC dos Precatórios na Câmara, prevista para hoje, o Ibovespa oscilou entre cenários positivos e negativos ontem. O principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo fechou em estabilidade, com ligeira queda, 0,04%, aos 104.781 pontos. Já o dólar, depois de abrir a segunda-feira em alta de 1,35%, terminou o dia com elevação de 0,33%, cotado a R$ 5,541 para venda.

"Hoje (ontem) o Ibovespa fechou praticamente estável, apesar da alta volatilidade durante o pregão, devido às incertezas quanto à PEC dos Precatórios, visto que o trâmite da matéria pode ser impactado pelos questionamentos da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF)", frisou Matheus Villar, analista de investimentos da BeCapital Research.

Segundo Villar, o mercado teme que, caso se confirme o atraso na votação da PEC dos Precatórios , o governo adote um plano alternativo mais danoso ao teto de gastos para viabilizar o Auxílio Brasil. "Com isso, os papéis de empresas ligadas ao ciclo econômico doméstico apresentaram, em média, variação negativa, enquanto as exportadoras de commodities, em geral, tiveram desempenho melhor", disse. As ações da Vale, por exemplo, subiram 5,44%.

Outro fator que impactou negativamente a bolsa foi o IGP-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna), que registrou inflação acima das expectativas", afirmou o analista. O indicador subiu 1,6% em outubro, acumulando alta de 21% em 12 meses.

O economista Benito Salomão, mestre em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia, destacou que o dólar retomou a trajetória de alta, depois de perder força na semana passada. E frisou que o Ibovespa operou em queda, na contramão das bolsas norte-americanas, que estão subindo. "Isso mostra que o comportamento da bolsa e do dólar, no Brasil, está associado a problemas domésticos", comentou.

Agenda

"Os juros serão muito mais altos do que o mercado financeiro previa meses atrás. Então, acho que teremos a Selic próxima de 12%, 13% ou até 14% ao ano, e isso acaba segurando o valor das ações. E os problemas com relação à agenda política e macroeconômica também estão pesando no comportamento do Ibovespa", completou o economista.

O gerente da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, comentou que o dólar perdeu força, na semana passada, com a perspectiva de aprovação da PEC dos Precatórios. No entanto, o mercado foi pego de surpresa pela decisão de Rosa Weber de suspender a liberação das chamadas emendas de relator, que vinham sendo usadas como moeda de troca pela aprovação da PEC. "Hoje (ontem), houve uma corrida na abertura, mas logo a taxa se ajustou porque a PEC já está precificada", afirmou. "O mercado está arisco, mas tudo indica que o dólar não tem mais força para superar R$ 5,70 no curto prazo. Deve ficar rodando na banda entre R$ 5,50 e R$ 5,70 se não tiver notícia negativa de Brasília."

Lá fora, o índice DXY — que mede a variação do dólar frente a seis divisas fortes — operou em queda durante todo o pregão, no limiar dos 94 pontos. A moeda americana também perdeu força frente a maioria de divisas emergentes e de países exportadores de commodities, incluindo os pares do real, como o rand sul-africano e o peso mexicano.

*Estagiário sob supervisão

de Odail Figueiredo

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