"Economia não tem última palavra"

Correio Braziliense
postado em 24/11/2021 00:01

Durante a audiência pública na Câmara dos Deputados, ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, negou ser um "fura-teto", mas admitiu que a pasta não consegue ter a última palavra nos debates no Congresso Nacional. O chefe da equipe econômica reclamou das críticas que, segundo ele, são decorrentes dos "barulhos" da democracia. "Quando eu cedo ao Senado ou à Câmara, eu estou sendo descredenciado entre economistas. Eu estou respeitando a democracia. A economia não tem a última palavra", disse o ministro, reconhecendo que os integrantes da equipe econômica acabaram saindo do governo por não concordarem com essas negociações que iam na contramão das regras fiscais. 

O ministro contou que "não teve nenhum dia de paz" desde que assumiu o cargo. Ele reclamou das críticas sobre a sua condução da política econômica, porque tem sinalizado o abandono do compromisso de preservar as regras fiscais enquanto o debate de aumento de despesas do Orçamento de 2022 segue incerto. "Não adianta jogar só pedra. Tem coisas erradas, mas tem coisas certas também", disse. "A saúde do povo está em cima da bandeira de austeridade. Eu perdi gente que achava que era para ser respeitado estritamente o teto de gastos. Mas eu digo que é melhor fazer uma aterrissagem no fiscal mais lenta para atender o social", acrescentou o economista, crítico de domésticas que conseguem viajar para a Disney e dos filhos dos porteiros que fazem faculdade. 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenta melhorar a popularidade com a promessa de um novo Bolsa Família de R$ 400, o Auxilio Brasil, mas o programa não cabe no Orçamento de 2022 e depende, segundo Guedes, da aprovação da PEC dos Precatórios — que prevê o calote em dívidas judiciais e altera a metodologia de cálculo do indexador do limite da regra do teto.

O ministro Paulo Guedes reforçou que um programa social mais robusto só será viabilizado se a PEC dos Precatórios for aprovada.(RH)

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