CONJUNTURA

CNI: indicadores mostram desaceleração da indústria em setembro

Emprego industrial ficou estagnado em relação ao mês anterior, faturamento caiu. Utilização da capacidade de instalação e rendimento médio do trabalhador seguem tendência de retração

Um cenário pior para a indústria em setembro em relação a agosto deste ano. É o que mostram os indicadores industriais calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (4/11). Pesquisa do IBGE, divulgada também hoje, mostra um recuo de 0,4% na produção industrial no período. Segundo a CNI, o emprego da indústria de transformação, que vinha crescendo a taxas elevadas em 2021, desacelerou. O faturamento da indústria caiu 1,5%, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu pela terceira vez seguida e o rendimento médio real segue tendência de retração.

O IBGE mostrou que esse recuo na produção industrial é a quarta queda consecutiva do indicador, que acumula perda de 2,6% no período. Com isso, a indústria se encontra 3,2% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no cenário pré-pandemia, e 19,4% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011. 

A CNI apontou, contudo, que as horas trabalhadas na produção cresceram em setembro pela primeira vez desde janeiro de 2021, recuperando parte da perda dos meses anteriores. A massa salarial real também cresceu, e apresenta relativa estabilidade em 2021.

Segundo pesquisa, o faturamento real da Indústria de Transformação caiu 1,5% em setembro frente a agosto, na série livre de efeitos sazonais. “O resultado segue a tendência de retração observada desde o início do ano. Destaca-se que o faturamento real da indústria vinha alternando altas e baixas, com as últimas mais acentuadas, mas na primeira vez do ano o faturamento caiu por dois meses consecutivos. No último bimestre, a queda do faturamento somou 6,3%. No acumulado de janeiro a setembro, a queda alcança 9,0%”, explica.

Dados positivos

Apesar disso, o gerente de Análise Econômica, Marcelo Azevedo, explica que os dados ainda são positivos no acumulado do ano. No recorte anual, o emprego cresceu 3,7%, a UCI continua acima de 80%, as horas trabalhadas na produção cresceram pela primeira vez desde janeiro de 2021 e a massa salarial real se mantém estável.

“Os dados mostram uma desaceleração no crescimento da indústria nesse terceiro trimestre. Esse quadro já é resultado da alta de juros, da inflação, da falta de insumos e da crise hídrica”, diz o economista.

Ainda que haja uma desaceleração no crescimento industrial, a pesquisa mostra que a massa salarial da Indústria de Transformação cresceu 0,2% em setembro, frente a agosto, na série livre de efeitos sazonais. “O crescimento vem após a alta de 0,7% no mês anterior. Com isso, a massa salarial real retorna ao nível de fevereiro de 2021, mostrando estabilidade do indicador no ano, apesar da volatilidade”, afirma a pesquisa.

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