Governo

Nem V nem W: o que esperar da economia em 2022 (esqueça o Guedes)

Após afirmação do ministro da Economia, de que "nunca prometeu que o Brasil iria continuar crescendo em V", especialistas alertam que Brasil enfrentará "inércia inflacionária" no próximo ano

Fernanda Fernandes
postado em 14/12/2021 00:46
 (crédito:  Gustavo Bezerra/Fotos Publicas)
(crédito: Gustavo Bezerra/Fotos Publicas)

Após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar, no último domingo (12/12), que “nunca prometeu que o Brasil iria continuar crescendo em V”, especialistas confirmam que a economia brasileira deverá se manter estagnada em 2022.

Guedes comentou as perspectivas econômicas do Brasil em entrevista ao programa "Canal Livre", da Band. O ministro admitiu que a rápida alta no Produto Interno Bruto (PIB) registrada no primeiro semestre de 2021 ocorreu após a queda brusca das atividades durante a pior fase da pandemia no país, em 2020. "Nunca disse que o Brasil ia continuar em 'V'. Colocamos o Brasil de pé, isso é 'V'. Vamos entrar no futuro", afirmou Guedes.

Na avaliação do economista Claudio Considera, coordenador de projetos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), após a queda registrada no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no mês de dezembro, a economia deverá se manter parada, pelo menos, no primeiro semestre de 2022. “A economia voltou ao ponto anterior e ficou parada. O que temos, na verdade, é uma economia que cresceu pouco em 2018, pouco em 2019, e entrou em recessão em 2020", comentou.

Ele afirma que os números devem ser observados com atenção. "Embora a gente vá recuperar o que se perdeu em 2020, quando olhamos o saldo positivo de 0,5% esperado para o fim deste ano e comparamos com o crescimento da população, que foi de 0,9%, verificamos que houve uma renda per capita ainda menor”, conclui o especialista do Ibre.

Queda nas vendas

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, atribui a queda no varejo à alta inflação, que já atingiu o patamar de 10,74% no acumulado nos últimos 12 meses encerrados em novembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Em outubro, as vendas caíram 7% em relação ao ano passado. Esse processo de inflação alta tende a segurar esse ritmo de recuperação do comércio, assim como o mercado de trabalho, que passa por um momento de bastante lentidão diante das vagas perdidas durante a crise sanitária”, afirma Bentes.

Ainda segundo o economista, a tendência para o próximo ano é de que as vendas no comércio não consigam crescer nem 1%. “E não se descarta a possibilidade de recessão ao longo de 2022. A primeira metade do ano já sabemos que será muito difícil”, alerta.

Além do aumento populacional que não foi acompanhado pelo crescimento econômico em 2021, o analista Claudio Considera destaca o desemprego e a alta inflação como vilões do PIB em 2022. Segundo ele, a previsão do Ibre é de que o país cresça, no máximo, 0,7% no próximo ano. “As projeções de crescimento são muito baixas. Esta economia estagnada junta-se à inflação e ao desemprego, e não há nenhuma perspectiva de recuperação das taxas anteriores a curto prazo", prevê.

O economista tem uma visão de viés pessimista. "Não haverá nem V nem W, mas uma economia estagnada, com investimentos que não decolam e inflação de dois dígitos”, reforça o especialista do FGV IBRE, em referência a afirmação de Paulo Guedes.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

CONTINUE LENDO SOBRE