Inflação

Nova queda do PIB mantém Brasil em "recessão técnica"

Índice do Banco Central mostra mais um recuo de 0,4% em outubro e revisa índices anteriores para baixo

Rosana Hessel
Fernanda Fernandes
postado em 16/12/2021 09:26 / atualizado em 16/12/2021 09:26

Embora acumule alta de 4,99% até outubro, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central - a prévia do Produto Interno Bruno (PIB), divulgado nesta quarta-feira (15/12), apontou mais uma queda no mês, de 0,4%, na comparação com setembro. Com o novo recuo, o índice registra redução em dois trimestres consecutivos o que caracteriza recessão técnica, apontam os especialistas. Além da nova queda registrada, o BC também revisou para baixo a série com ajuste de setembro, que passou de -0,27% para -0,46%. E de agosto, que foi de -0,29% para -0,45%.

O economista Piter Carvalho, da Valor Investimentos, afirma que tudo indica que o país deverá manter o ritmo de desaceleração econômica e entrar o ano de 2022 com um cenário de “estagflação”, ou seja, com baixo crescimento econômico e inflação em alta. “Vemos uma previsão do PIB com forte recuo. A indústria caiu 0,6%, o varejo caiu 0,9% e a queda nos serviços foi de 1,2%”, pontua. “Isso reforça a tese de que o PIB terá mais queda em relação à expectativa deste ano e, se continuar nesse ritmo, deve vir negativo já em 2022”, conta.

Segundo Carvalho, essa deterioração da atividade econômica gera cautela no mercado financeiro quanto ao crescimento do PIB e, considerando o contexto de alta inflação e juros elevados pela política contracionista do BC, as ações locais deverão ser as que mais sentirão as consequências. “Essas ações ligadas ao cenário local sofrem grande influência desse contexto macroeconômico”, afirma o economista.

De acordo com Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, apesar de prever um leve crescimento de 0,1% no PIB dos últimos três meses do ano, o viés é de baixa e, por conta disso, a previsão do banco de alta de 4,7% (ligeiramente abaixo da apontada no IBC-Br), neste ano, poderá ser ainda menor.

“Esse conjunto (de indicadores negativos de outubro) coloca o PIB do quarto trimestre próximo de zero e gera um viés de baixa para a nossa projeção, para 4,5%”, afirmou Mesquita, nesta quarta-feira (15/12), durante análise da conjuntura macroeconômica em uma videoconferência com jornalistas. “Vemos o PIB andando de lado e, no quarto trimestre, pode ficar em zero ou até ser negativo”, afirmou ao Blog do Vicente, nesta quarta.

O economista confirmou a previsão de queda de 0,5% no PIB de 2022 apontada no relatório Focus, do Banco Central, principalmente, devido à alta da taxa básica de juros (Selic), atualmente, em 9,25%, com previsão de mais duas altas no início do próximo ano, para 11,75%. “A perda de impulso do mercado de crédito, devido ao aumento dos juros, tem a principal contribuição negativa do PIB em 2022”, destacou.

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