CB.AGRO

Embrapa busca uso eficiente de fertilizantes

RAPHAEL PATI*
postado em 09/04/2022 00:01
 (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A falta de fertilizantes, devido às sanções contra a Rússia, uma das principais exportadoras do produto para o Brasil, com 23% de todo o consumo nacional, levou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a buscar soluções para a escassez, ao lado do Ministério da Agricultura. A iniciativa Caravana FertBrasil começou neste mês e irá percorrer as principais regiões agrícolas do país, levando soluções para melhorar a eficiência no uso de fertilizantes. A meta de redução nos custos é ambiciosa.

"Nós vamos cobrir uma área de 70 milhões de hectares para levar tecnologia e mostrar ao produtor como produzir mais e de forma mais eficiente. O grande objetivo é aumentar a eficiência de 60% para 70% do uso de fertilizantes. Com isso, nossa meta é, ainda na safra cujo plantio começa em setembro, reduzir o custo de produção em cerca de US$ 1 bilhão no agro brasileiro", disse o presidente da Embrapa, Celso Moretti, em entrevista ao CB.Agro — programa feito em parceria entre o Correio e a TV Brasília.

Com isso, diversos produtos serão beneficiados, como o trigo, que ainda não se estabeleceu em todas as regiões do país. Moretti conta que há testes de plantio do produto no cerrado de Roraima, no extremo norte do país, e os resultados são animadores.

"Fizemos testes com três materiais da Embrapa, e duas questões nos surpreenderam. Primeiro, o tamanho do ciclo. Normalmente, no sul do Brasil, onde está concentrada a maior parte da produção de trigo, são 110 a 115 dias da semeadura até a colheita. Aqui no cerrado, como o dia é um pouco mais comprido, são 95 a 100 dias. E lá (em Roraima), foram 66 dias, porque é quase em cima da Linha do Equador. Também a produtividade nos surpreendeu: três toneladas por hectare, com uma média no Brasil que é de 2,4 toneladas. Isso nos possibilita que tenhamos duas safras de trigo no inverno em Roraima", disse Moretti.

Em âmbito nacional, a Embrapa busca acabar com a dependência de importação do trigo. A demanda interna é de 12 milhões de toneladas, mas o país produz apenas 7 milhões. A empresa identificou 2 milhões de hectares que podem ser utilizados para a produção do alimento, em Goiás, Minas Gerais e Bahia. São áreas em que não há necessidade de se desmatar um hectare de vegetação natural, pois já são consolidadas para o plantio.

"O Brasil pode sair de 7 milhões de toneladas/ano para 22 milhões de toneladas/ano. Podemos triplicar a produção e tornar o país um dos 10 maiores exportadores de trigo", afirmou.

*Estagiário sob a supervisão

de Odail Figueiredo

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