CB.Poder

Etanol pressiona preço da gasolina

Isabel Dourado
postado em 14/04/2022 00:01
 (crédito: Ed Alves/CB/DA.PRESS)
(crédito: Ed Alves/CB/DA.PRESS)

Entrevistado, ontem, no programa CB.Poder — uma parceria do Correio Braziliense e da TV Brasília — o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), Paulo Tavares, disse que os revendedores não têm responsabilidade pelo preço elevado da gasolina e demais derivados. Ele atribuiu a alta à política adotada pela Petrobras.

Tavares afirmou que, depois do megarreajuste nos preços da gasolina e do diesel, promovido pela estatal em março, o etanol passou a ser mais procurado pelos motoristas. Por conta disso, o biocombustível também subiu de preço — não apenas o etanol hidratado, usado diretamente para mover os veículos, mas também o anidro, que é o misturado à gasolina.

Em razão da alta do etanol anidro, segundo Tavares houve um acúmulo de reajustes na gasolina em torno de R$ 0,20 a R$ 0,30 por litro. De acordo com pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do etanol hidratado ultrapassou a barreira dos R$ 5 por litro esta semana, chegando a R$ 5,014.

Tavares, porém, disse que os motoristas, hoje, têm mais opções para abastecer. "Os preços estão muito variados e o consumidor pode escolher onde quer abastecer e o preço que quer pagar, mas isso vai depender do revendedor conseguir manter um valor mais baixo", afirmou.

"No ano passado a Petrobras reajustou a gasolina para as refinarias em 57%, mas, de acordo com dados oficiais, o reajuste nas bombas foi de 46%. Ou seja, o revendedor acabou absorvendo parte do reajuste para não perder parte clientes", afirmou.

Paulo Tavares criticou medida definida pela ANP no fim do ano passado, que entrará em vigor em maio: o corte da terceira casa decimal nos preços mostrados nas bombas. Assim, os preços por litro de todos os combustíveis deverão aparecer com apenas duas casas depois da vírgula.

"No mundo inteiro se usam três casas. Nós compramos com quatro casas e vendemos com três casas. Isso não vai resolver o problema do mercado", disse.

*Estagiária sob a supervisão

de Odail Figueiredo

 

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