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Carestia não dá trégua: Comida e combustíveis fazem inflação disparar

IPCA-15, prévia do índice oficial, tem alta de 1,73% em abril, a maior para o mês desde 1995. Considerando o período dos últimos 12 meses, elevação média dos preços no país chega a 12,03%. Dos itens pesquisados pelo IBGE, 78,7% ficaram mais caros

Michelle Portela
postado em 28/04/2022 06:00
 (crédito: SCOTT OLSON)
(crédito: SCOTT OLSON)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, acelerou em abril e atingiu 1,73%, ficando 0,78 ponto percentual acima da taxa de março (0,95%), de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior variação mensal do indicador desde fevereiro de 2003 (2,19%) e a alta mais elevada abril desde 1995, quando o índice foi de 1,95%.

Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 4,31% no ano e, em 12 meses, elevação de 12,03%. De acordo com os dados do IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em abril.

A maior variação (3,43%) ocorreu nos produtos do grupo transportes, que teve o maior impacto no índice geral. Na sequência, veio alimentação e bebidas, com alta de 2,25%. Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 70% do IPCA-15 em abril. Outros destaques foram o grupo Habitação (1,73%) e vestuário (1,97%).

Para o cálculo do IPCA-15, foram comparados os preços coletados entre 17 de março e 13 de abril de 2022 com aqueles vigentes entre 12 de fevereiro e 16 de março. O indicador mede a inflação da cesta de consumo de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos (R$ 48.480) e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.

O resultado dos Transportes (3,43%) foi influenciado, principalmente, pelo aumento no preço dos combustíveis (7,54%), motivado pelo aumento do preço médio da gasolina da Petrobras para as distribuidoras em 18,77% e o do óleo diesel, em 24,93%, ocorrido em 11 de março.

Para o consumidor, a gasolina teve alta média de 7,51% e contribuiu com o maior impacto individual no índice do mês (0,48 ponto percentual). Além disso, houve altas nos preços do óleo diesel (13,11%), etanol (6,60%) e gás veicular (2,28%). Outros destaques ficaram com as passagens aéreas (9,43%) e seguro voluntário de veículo (3,03%), cujos preços subiram pelo 8º mês consecutivo, acumulando alta de 23,46% nos últimos 12 meses.

economia dragao inflacao
economia dragao inflacao (foto: pacifico)

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Embora tenha sido a pior variação mensal do índice em 27 anos ou desde abril de 1995, quando se registrou inflação de 1,95%, o IPCA veio abaixo do estimado pelo mercado financeiro. "Veio abaixo da nossa estimativa, de 1,9%, mas, mesmo assim, é um índice elevado", avaliou a Necton Consultoria.

"Apesar do número elevado, há, agora, a perspectiva mais clara de que podemos estar, de fato, chegando ao pico da inflação, uma vez que, para maio, não devemos ter altas tão grandes de combustíveis (uma vez que já está sendo plenamente absorvida agora). Não quero, com isso, apontar que a inflação irá melhorar, mas em termos relativos pode ser 'menos pior' em 12 meses. Mantemos nossa projeção de IPCA para o fim de 2022 em 8,06%", disse André Perfeito, economista-chefe da Necton.

A Mag Investimentos estimou o IPCA-15 de abril em 1,84%. "Cabe destacar a piora no índice de difusão (percentual da cesta de bens e serviços que mostraram alta no mês), que passou de 75,5% para 78,7%, o que indica uma inflação bem dispersa", explicou Felipe Rodrigo de Oliveira, economista da Mag. Segundo ele, a expectativa para os próximos meses é de desaceleração na inflação mensal, devido ao início da aplicação da bandeira verde para energia elétrica em abril, uma alta mais comportada dos alimentos, além de menor aceleração nos combustíveis.

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