Pânico de volta

Fernanda Strickland
postado em 06/05/2022 00:01

A calmaria do mercado financeiro diante dos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não durou 24 horas. Após se sentirem aliviados, na quarta-feira, com a fala do presidente da instituição, Jerome Powell — que tirou do radar uma alta de 0,75 pontos da taxa básica em junho — os investidores, ontem, fugiram de ativos de risco, provocando forte queda nas bolsas. No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paul (B3) despencou 2,81%, para 105.304 pontos, ficando perto de zerar todos os ganhos de 2022. O dólar, por sua vez, subiu 2,3% e fechou em R$ 5,02.

O Ibovespa seguiu as bolsas americanas, que recuaram fortemente com a disparada dos juros e as preocupações com a inflação e a desaceleração econômica. Em Nova York, o índice S&P 500 caiu mais de 3% enquanto o Nasdaq desabou 5%.

O mercado reavaliou a fala de Powell na véspera e passou a entender que o Fed não conseguirá conter a inflação a curto prazo com uma política gradualista e terá que reforçar o aperto monetário.

Segundo o especialista em investimentos e co fundador da Invest Smart, Bruno Hora, ao subir as taxas, o Fed está criando um movimento de "enxugamento" das moedas correntes em um nível que não estamos acostumados a ver. "O Fed com esse movimento muda o cálculo no que tange a risco e retorno. Afinal, ficou bom levar o dinheiro para os EUA, investindo em dólar e nos bonds (títulos do Tesouro) americanos", disse.

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