São Paulo

Bolsonaro e Lula não mandam representantes para discutir propostas com investidores

Líderes nas pesquisas eleitorais, Bolsonaro e Lula não mandam representantes para discutir propostas para a economia em encontro com empresários e investidores. Adversários criticam postura e política fiscal do atual governo

São Paulo — A poucos dias do início da campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continuam evitando debates sobre as respectivas propostas econômicas. Foi o que ocorreu ontem, em evento organizado pela XP Investimentos, em São Paulo, com a presença de empresários, investidores e figuras de renome internacional.

"O atual governo gosta de fazer palestras sem debate", criticou a economista e advogada Elena Landau, ex-diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), coordenadora do programa econômico da candidata à presidência Simone Tebet (MDB).

A economista falou no início do painel "Desafios do presente e do futuro: Debate sobre os caminhos da economia brasileira". A ideia dos organizadores era colocar os responsáveis pelas propostas econômicas dos quatro candidatos mais bem colocados na corrida presidencial. Além de Elena Landau, participou do debate o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Nelson Marconi, que integra o time econômico do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT).

Elena Landau não poupou críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que, em palestra na quarta-feira, no mesmo evento, minimizou os riscos fiscais e admitiu ter furado o teto de gastos com o pacote de R$ 41,2 bilhões da PEC que amplia benefícios e cria subsídios sem fontes seguras de recursos, o que tende a piorar as contas públicas.

Segundo ela, o atual governo poderia ter aprovado as reformas que quisesse, porque estava com o Congresso nas mãos, mas acabou se limitando às mudanças na Previdência. Além disso, na avaliação da economista, na questão fiscal houve retrocesso a patamares semelhantes aos do fim do governo de Dilma Rousseff (PT).

A coordenadora do programa do MDB demonstrou indignação com o fato de a plateia achar normal um país com inflação de dois dígitos, juros básicos indo para 14% ao ano e riscos fiscais aumentando, uma vez que demonstrou insatisfação durante o governo Dilma com esse mesmo cenário.

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Propostas

Nelson Marconi também criticou a ausência dos representantes de Lula e de Bolsonaro. "Isso não é democrático, nem republicano", disse. E destacou que a questão fiscal precisa ser debatida durante a campanha. "Isso é essencial para o país, porque, sem equilíbrio fiscal, o Brasil não recupera a capacidade de investimento", afirmou.

Na avaliação do professor da FGV, a regra do teto de gastos foi pouco realista desde a implementação. "O teto está no chão", disse. Marconi citou algumas medidas da proposta econômica do PDT, como o corte de 20% dos incentivos fiscais, a volta da tributação de dividendos e a redução de despesas correntes. "É preciso fazer um Orçamento de base zero", ressaltou.

*A jornalista viajou a convite da XP Investimentos