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EUA x China: economista indaga o papel do Brasil na 'nova ordem mundial'

Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, comenta a posição do Brasil em reação a "guerra comercial" entre as duas maiores economias do planeta

Alessandra Ribeiro é economista e sócia-diretora da Tendências Consultoria  -  (crédito: Reprodução/Youtube Correio Braziliense)
Alessandra Ribeiro é economista e sócia-diretora da Tendências Consultoria - (crédito: Reprodução/Youtube Correio Braziliense)
postado em 19/12/2023 18:59

Os Estados Unidos vêm aos poucos perdendo uma hegemonia consolidada desde o início do século passado. A maior economia global vê a China se aproximando cada vez mais com a possibilidade de criar uma espécie de ‘nova ordem mundial’ no cenário geopolítico. Com essa análise, a economista e sócia-diretora da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, destacou durante o evento CB Debate - Desafios 2024: o Brasil no rumo do crescimento sustentado, que ainda é uma incógnita qual será o papel do Brasil nessa nova configuração.

“A China é hoje o nosso primeiro parceiro comercial em termos de importância. Mas os EUA são o terceiro. Então a gente tem aqui uma situação bastante delicada para como o governo vai se posicionar, aí não só esse governo, mas também os próximos, mas como se posiciona esse redesenho da nova ordem mundial”, indaga a economista.

Segundo a economista, a proximidade maior com os EUA pode favorecer o país norte-americano. No entanto, as relações com a China já superaram, a nível econômico, as com os EUA há alguns anos. Nesse desenho geopolítico, quem se configura bem é o México, embora a economista avalie que o Brasil também esteja em uma posição favorável.

“Eu acho que o Brasil está bem posicionado para esse processo também, para ter ganhos nesse processo. É fato que na situação do Brasil, a gente tem um desafio para se apropriar mais desses ganhos, que tem a ver com o modo que o Brasil se posiciona em relação a esses dois grandes players mundiais”, analisa.

Perspectivas

A economia dos EUA deve encerrar 2023 com um crescimento em torno de 2,5%, enquanto que a China vai crescer cerca de 5%. Nos dois países ainda há um cenário de estabilização dos juros. “E agora, a grande discussão é: quando é que eles começam a afrouxar? E o fato é que, ainda na nossa avaliação, essa política monetária toda implementada, essa política monetária contracionista, ela ainda vai ter efeitos sobre essa atividade econômica global, especialmente agora nos próximos meses e olhando aí a primeira metade de 2024”, conclui a economista.

Para Ribeiro, quando é avaliado o cenário econômico global, há surpresas positivas pelo lado do crescimento econômico, que é somado a um processo de desaceleração da inflação das grandes economias, o que, segundo ela, tem contribuído para uma queda de preços das commodities, normalização nas cadeias globais de produção, e o movimento das políticas monetárias desses países.

“Então a gente deve ter um processo adicional de desaceleração da atividade global, a gente já começa a ver isso mais claramente, que deve se aprofundar nesses próximos meses, com reflexos, também, sobre a inflação”, esclarece a economista.

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