Com os desdobramentos do Caso Master e outros escândalos financeiros que tomaram conta do noticiário financeiros nos últimos meses, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) se tornou mais conhecido pela população, principalmente devido à sua função de pagar garantias a bancos que "quebram" e não têm mais condições de se manter, como explicou o presidente do fundo, Daniel Lima.
Ele participou do 5º Congresso da Associação Brasileira das Instituições de Pagamento (Abipag), nesta quinta-feira (21/5), no Hotel Royal Tulip, em Brasília.
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Durante o evento, Lima reconheceu o regime de recuperação fiscal no Brasil como algo “complexo” e contrariou o diretor do Banco Central, Ailton Aquino, que, no mesmo painel, disse estar confiante em um futuro mais “calmo” para o mercado financeiro.
“Eu acho isso difícil de acontecer. Eu tenho isso mais como esperança e menos como expectativa. Gostaria que fosse, mas eu acho que não vai ser, porque a gente tem um mercado dinâmico, e o mercado dinâmico vai envolver mudanças que acompanhem essa própria dinâmica do mercado”, disse o presidente do FGC, durante o primeiro painel do evento.
O FGC ainda conta com R$ 2,2 bilhões disponíveis para credores do Banco Master, Will Bank e Pleno, liquidados em meio às operações da Polícia Federal e da Receita Federal contra essas instituições, além de outras que atuavam no mesmo sistema criminoso.
Desde o início da crise, o fundo já pagou cerca de R$ 49 bilhões para os clientes atingidos por essas instituições.
Ajustes no fundo garantidor
O presidente do FGC reconheceu que ajustes no modelo atual do fundo podem ser discutidos, e devem ser “uma discussão sempre viva” para se adaptar à velocidade das mudanças no setor. Além disso, ele discordou da tese que aponta que adaptações no fundo trazem efeitos anticoncorrenciais para a indústria.
“Eu discordo fortemente desta percepção, e desafio essa percepção. Eu acho que, primeiro, o FGC não foi construído, não foi criado, não foi concebido como suporte à agenda de competição. Mas, obviamente, a gente não pode tapar o sol com a peneira que ele tem um efeito nessa agenda”, comentou Lima.
Por fim, o executivo ainda mencionou o desafio de garantir a “disciplina de mercado”, e disse que a responsabilidade por isso não deveria ser “terceirizada”.
“A gente tem um papel em promover a própria saúde do mercado, o FGC como uma instituição privada, eu me coloco do lado aqui dos agentes de mercado nessa busca por uma saúde e uma autovigilância que vai promover mais bem-estar para a sociedade”, completou.
