Exemplos internacionais

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Por uma formação mais adequada às novas gerações, instituições em diferentes países derrubam muros e mudam a perspectiva do ensino. Veja que escolas no DF oferecem ensino bilíngue e internacional e confira dicas de especialistas sobre o aprendizado de outra língua

Está cada vez mais difícil para as escolas capturarem a atenção dos estudantes e conseguir mantê-los motivados. Algumas instituições de ensino ao redor do mundo decidiram encarar esse desafio de forma inovadora e encontraram soluções surpreendentes, que envolvem a tecnologia de maneira ampla - dos recursos digitais à arquitetura dos espaços.

São escolas que também perceberam a importância de dar mais autonomia aos alunos, derrubaram paredes, abandonaram os livros e deram poder de escolha para que eles exercitem as próprias habilidades. Apesar de não haver receita pronta sobre como uma escola do futuro deve ser, uma vez que os contextos locais precisam ser levados em consideração, essas podem servir de inspiração para as que querem iniciar um processo de mudança.



Green School, Indonésia

Sustentabilidade é palavra-chave nessa escola localizada em Bali, na Indonésia. A estrutura da escola é feita com um dos materiais mais abundantes na região, o bambu. As salas, os armários, as mesas, tudo é fabricado a partir dessa planta. Inaugurada em 2008, a escola internacional tem como objetivo educar os alunos para a sustentabilidade, por meio de uma aprendizagem integrada na comunidade, em um ambiente sem paredes. A abordagem holística busca inspirar os estudantes a serem líderes verdes.

A Green School foi idealizada pelo canadense radicado em Bali John Hardy. Após assistir ao documentário Uma Verdade Inconveniente, do político americano Al Gore, John começou a refletir sobre o mundo que deixaria para os filhos. A partir disso ele decidiu se dedicar a criar uma escola sustentável, sem emissão de carbono e que fosse capaz de trazer benefícios para o entorno e para o planeta, ao mesmo tempo que oferecesse um ensino de qualidade a crianças do mundo inteiro.

Na Green School os alunos realizam três tipos de atividades: aulas regulares (como matemática, ciências e geografia), artes criativas (música, pintura e reciclagem) e estudos verdes. Eles aprendem conteúdos didáticos de maneira prática e se envolvem com o meio ambiente. Plantam bambu, arroz, administram a horta e tiram dela os alimentos que serão preparados na escola. A água da escola é reciclada, e a energia, gerada por placas solares.





Steve Jobs School, Holanda

Nada de livros, cadernos ou uniformes. O aluno matriculado na Steve Jobs School só precisa de um iPad. Nessa escola pública holandesa, cada estudante recebe o tablet da Apple, que será sua principal ferramenta de estudo e estará à disposição na escola e em casa. O alunos não têm aulas, e, sim, workshops em espaços abertos com os professores %u2014 ou treinadores, como são chamados %u2014 especialistas na área de conhecimento.

As crianças montam a grade de atividades, com orientação dos pais. Dessa forma, sentem-se mais motivadas a frequentar os encontros. A ideia é estimular o desenvolvimento de talentos individuais e de habilidades essenciais para a vida na sociedade contemporânea.

As crianças são divididas em grupos de 25 alunos com idades diferentes, com uma diferença máxima de quatro anos, e as mais velhas são estimuladas a ajudarem as mais novas, exercitando a capacidade de cooperação. A Steve Jobs School defende que todo o conhecimento e informação podem ser encontrados na internet, então, as crianças devem aprender a filtrá-los de acordo com a relevância e a aplicá-los.





Ørestad Gymnasium, Dinamarca

Para um visitante desinformado que entrar na escola pública de ensino médio Ørestad Gymnasium, pode parecer que os alunos estão apenas sentados conversando e se divertindo, mas, na verdade, eles estão estudando. O ambiente da escola é um dos diferenciais. A arquitetura não-convencional e os espaços abertos de aprendizagem (Open Learning Spaces) são os responsáveis por essa impressão. A construção do prédio foge do esteriótipo de um ambiente escolar. Praticamente sem paredes, a Ørestad Gymnasium foi planejada para participar do que eles chamam de ensino do futuro.

Fundada em 2005, a escola atende a cerca de 1,1 mil alunos. As aulas ocorrem em três tipos de ambientes: salas de aulas tradicionais; espaços abertos com mesas para realização de trabalhos em grupo; e espaços que misturam os dois tipos de sala - fechados, porém voltados para os grupos.

Dessa forma, os alunos aprendem a importância de se comunicar e de trabalhar coletivamente. A pedagogia da escola é outro aspecto interessante: os estudantes não usam livros. Todas as aulas e o material educativo estão disponíveis digitalmente, na plataforma de ensino do Google. O diretor da escola, Allan Kjær Andersen, afirma que os documentos criados e compartilhados pelos alunos são a ferramenta mais importante da escola.





Wooranna Park Primary School, Austrália

Pode ser difícil de acreditar que esta escola australiana seja pública. A julgar pela infraestrutura, alguns duvidariam, inclusive, de que se trata de uma escola. A Wooranna Park impressiona. O espaço físico da escola foi criado com o intuito de privilegiar a interação entre os estudantes e mantê-los sempre motivados. Ela é reconhecida mundialmente como referência em modernidade e aposta no formato open source de ensino, no qual os alunos são responsáveis pelo próprio aprendizado e podem optar por se dedicar a seus interesses pessoais.

Os estudantes têm ainda a liberdade de circular livremente pela escola e de participar das diversas atividades que ocorrem simultaneamente nos diferentes ambientes. O que a escola primária Wooranna Park propõe é uma mudança de paradigma na educação, investindo em estudos interdisciplinares, aprendizagem personalizada e criação de novas pedagogias. O diretor, Ray Trotter, acredita que, além dos conhecimentos básicos proporcionados durante a alfabetização, é importante que os alunos consigam acreditar neles mesmos e que se sintam habilitados a mudar o mundo.

A opção pelo segundo idioma

No contexto globalizado em que as crianças estão crescendo, o conhecimento de uma língua estrangeira se tornou imprescindível. A oferta de escolas bilíngues e internacionais na cidade é proporcional ao aumento do interesse no estudo do segundo idioma. Mas, afinal, o investimento feito nessas instituições vale a pena?

A primeira dúvida costuma ser sobre a idade. Maria Irene Maluf, especialista em psicopedagogia e neuroaprendizagem, afirma que o ideal é começar já na primeira infância. "Até os 10 anos, eles aprendem muito bem e não vão adquirir sotaque", diz. Ao contrário do que muitos pais pensam, aprender dois idiomas ao mesmo tempo é vantajoso. Nessa faixa etária, o sistema nervoso da criança se volta especificamente ao aprendizado de línguas, por isso, a simultaneidade se torna um benefício.

A pscicopedagoga ressalta que a participação dos responsáveis é muito importante nesse formato de ensino. Eles devem estimular a criança nas duas línguas, de forma balanceada. "Podem conversar exclusivamente em inglês na hora de ir à escola, por exemplo. Devem estabelecer momentos para fazer esses estímulos", esclarece Maria Irene. Também faz parte das atribuições da família corrigir erros que os filhos cometem ao falar português.

O neuropsicólogo do Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Ciências Cognitivas Gilberto Nunes acrescenta que os pais não devem se preocupar quando o filho se confundir ou misturar os idiomas em uma frase. Isso faz parte do processo de ensino em duas línguas. "É natural que as crianças misturem os idiomas no ínicio, mas, com o tempo, elas aprendem a mudar o contexto com mais facilidade", comenta. Segundo ele, pessoas bilíngues transitam entre os dois idiomas com destreza, são capazes de conversar em uma língua diferente com cada pessoa - mãe ou pai, por exemplo - em uma mesma situação. No entanto, a aquisição dessa habilidade leva algum tempo.

De acordo com o especialista, os pais devem saber dosar as expectativas em relação a esse tipo de ensino, até para evitar que o estudante se sinta pressionado. Ele destaca que muitos pais têm a pretensão de que o uso instrumental do idioma será facilitado pelo contato intenso com a língua estrangeira. "O fato de a escola ser bilíngue não significa que a criança será bilíngue. Isso depende de diversos outros fatores, como o tempo de convívio com o idioma e o uso que ela fará dele no cotidiano", exemplifica.

Para a psicopedagoga Maria Irene Maluf, os pais que desejam matricular os filhos em escolas bilíngues devem estar atentos a alguns pontos. A primeira preocupação deve ser exigir o currículo dos professores e conhecê-los. 'A maioria dos pais não faz isso, preocupa-se apenas em conhecer o ambiente da escola. É importante saber, por exemplo, quem é o professor que dará aulas de português. Na minha opinião, ele tem que ser brasileiro", ressalta. Também é importante observar as aptidões da criança. Em alguns casos, o ensino bilíngue pode não ser a melhor escolha. Em caso de dúvida, é interessante buscar a orientação de um profissional.

É natural que as crianças misturem os idiomas no ínicio, mas, com o tempo, elas aprendem a mudar o contexto com mais facilidade"Gilberto Nunes, neuropsicólogo

A Escola Britânica de Brasília é o primeiro colégio internacional britânico na capital federal e o mais recente inaugurado por aqui. Localizada na Asa Sul, teve as primeiras aulas ministradas em agosto deste ano e a cerimônia oficial de inauguração ocorreu em 2 de outubro. A escola combina os currículos inglês e brasileiro, atendendo aos requisitos do Ministério da Educação (MEC). O corpo de professores é composto por britânicos, com experiência de ensino no Reino Unido e em outras partes do mundo. Eles são acompanhados por professores assistentes bilíngues naturais do Brasil. O inglês é a língua falada no colégio, a não ser nos momentos das aulas de português e estudos brasileiros.

As aulas ocorrem em período integral, exceto para os alunos das turmas de pre-nursery e nursery - de 2 e 3 anos -, que podem optar pelo regime de meio período. As atividades extracurriculares são oferecidas três vezes por semana, e, inicialmente, foram disponibilizadas, aproximadamente, 10 opções, como culinária, francês, percussão corporal e clube de leitura. A ideia é que, à medida que a escola crescer, a oferta de atividades também aumente.

A British School of Brasilia aposta em um estilo pedagógico focado no potencial de cada aluno. Atividades desafiadoras são integradas com oportunidades de ensino em que cada estudante é diferenciado de acordo com as respectivas potencialidades ou carências. Atualmente, a escola oferece turmas para alunos de 2 a 8 anos de idade, correspondentes ao Early Years Foundation Stage e ao Primary Year.

A cada ano, será incluída uma nova turma, de maneira a acompanhar o desenvolvimento dos alunos até o ensino médio. O calendário acadêmico tem início em agosto e termina em junho, entretanto, o departamento de matrículas está aberto durante o ano inteiro. Os interessados podem acessar o site da escola e preencher um formulário. Depois disso, duas reuniões são agendadas, uma com os pais e outra com o aluno, para dar continuidade ao processo de matrícula.

A British School foi inaugurada este ano: mais uma opção de escola internacional em Brasília | Fotos: Marcelo Honorio/Divulgação

Foto: Divulgação

Escola das Nações

A Escola das Nações foi inaugurada em 1980, com apenas 17 alunos. Hoje, mais 870 circulam por lá diariamente. O objetivo da instituição é ser um local onde crianças de diferentes países e culturas façam parte de uma comunidade de aprendizagem em que possam viver juntas, como cidadãs do mundo, ao mesmo tempo em que têm acesso à educação. A percepção é de que é preciso integrar as dimensões cognitiva, espiritual, socioemocional e física - uma reforça a outra, e o equilíbrio entre todas elas afeta o sucesso do aluno na busca por seus objetivos.

A escola oferece os programas After School e School Teams aos alunos do Maternal 3 ao Grade 12, com o intuito de enriquecer o currículo regular. Esses programas propiciam oportunidades de explorar habilidades em diversas áreas de interesse. Os estudantes podem optar por atividades recreativas, esportivas, artísticas e de ampliação acadêmica e cultural. Algumas das alternativas são: líderes de torcida, capoeira, violão e ginástica acrobática.

A Escola das Nações é credenciada pelo Ministério da Educação e segue dois currículos, o americano e o brasileiro. Entretanto, o calendário do ano letivo é o internacional, por isso, as atividades começam em julho - com férias entre dezembro e janeiro - e encerram em junho. Atualmente, a escola conta com dois câmpus, ambos no Lago Sul, e recebe alunos da educação infantil ao ensino médio.

Foto: Divulgação

Maple Bear

Apesar de ter como base o método de ensino canadense, a franquia respeita as exigências curriculares de cada país, por isso, valoriza o português e os conteúdos sobre o Brasil. As aulas de português, história e geografia do Brasil são ministradas na língua nativa e por professores brasileiros. A escola investe em estratégias de aprendizado que são mais eficientes para as crianças, utilizando alguns conceitos do construtivismo e da pedagogia montessoriana.

As atividades em grupo e a participação do aluno em sala de aula são aspectos valorizados. O número de estudantes por classe é reduzido e eles são dispostos em grupos. Além disso, cada sala conta com uma pequena biblioteca e recursos, como laboratórios, laptops e tablets, estão a disposição de alunos e professores. Na biblioteca, o acervo é amplo, com livros nos dois idiomas, e ainda há espaços para atividades físicas, sala de música e de teatro. A carga horária aumenta de acordo com a idade dos estudantes. No fim do primeiro turno de aula, ocorrem atividades extracurriculares, os chamados clubs, que oferecem desde atividades físicas a aulas como as de robótica, xadrez, dança e patinação.

O calendário do Maple Bear segue o padrão nacional, ou seja, as aulas começam em fevereiro e encerram em dezembro. O período de matrícula tem início em outubro e, para os alunos a partir do 1º ano que ainda não possuem contato com a língua inglesa, existe um trabalho de adaptação que começa antes do período letivo e se estende durante o ano inteiro, para que a adaptação seja gradual.

Foto: Divulgação

Lycée Français François Mitterrand

A escola francesa veio para Brasília logo após a transferência da Embaixada Francesa para a nova capital, em 1973. Funcionou em vários endereços de Brasília e, em março deste ano, mudou-se para uma nova sede, localizada no Lago Sul. No endereço atual, a escola dispõe de mais espaços e aprimorou a infraestrutura, incluindo, por exemplo, uma piscina coberta semiolímpica, um anfiteatro e um ginásio poliesportivo.

O Lycée Français não é uma escola bilíngue, é uma escola francesa. Os alunos estudam português, geografia, história e aspectos culturais do Brasil, mas esse não é o foco da escola. O calendário utilizado segue o modelo das escolas francesas: as aulas começam no fim de agosto e terminam em junho, e, a cada trimestre, os alunos têm uma pausa de duas semanas. A direção administrativa do Lycée é de responsabilidade de uma associação de pais que trabalha em conjunto com a direção pedagógica da escola.

A metodologia utilizada é a mesma das escolas na França. Além dos conteúdos curriculares, o raciocínio lógico dos alunos é extremamente valorizado e frequentemente exercitado. Eles são periodicamente avaliados, evitando a tensão da semana de provas. O Lycée recebe alunos da educação infantil até o ensino médio e tem lista de espera para matrícula. A instituição oferece ainda atividades extracurriculares, como inglês, música, judô e teatro com a atriz da Cia Melhores do Mundo Adriana Nunes.

Foto: Divulgação

Swiss International School (SIS)

A Escola Suíça iniciou as atividades em Brasília há 5 anos e faz parte de um grupo educacional do país europeu que engloba 15 escolas - distribuídas na Alemanha, na Suíça e no Brasil. A SIS Brasília é uma escola bilíngue, de período integral, que segue o currículo exigido pela legislação brasileira. A metodologia da escola observa os princípios metodológicos transdisciplinares do Primary Years Programme - uma estrutura curricular internacional que consiste no processo de ensino e aprendizagem centrado no aluno e com uma visão sociointeracionista.

A escola adota integralmente o currículo nacional, ampliando-o numa perspectiva internacional. As aulas ocorrem nos dois idiomas, inglês e português. A infraestrutura é ampla, com vários ambientes de investigação e aprendizagem, como quadras, jardins e salas de aula. O calendário adotado é o brasileiro. Geralmente, as aulas começam no fim de janeiro e encerram em meados de dezembro.

Como opções de atividades extracurriculares, a SIS oferece o programa After School Care, após o término das aulas regulares, que é composto por práticas esportivas e culturais. A escolha fica a critério do aluno e da família, entre opções como balé, futsal, teatro e robótica. Os procedimentos de matrícula seguem os padrões internacionais. As famílias interessadas participam do processo de admissão, que inclui uma visita da família à escola, um dia de experiência da criança e uma entrevista com o diretor executivo. Apenas após esse processo, a matrícula pode ser feita.

Foto: André Violatti/Esp. CB/D.A. Press

Escola Americana de Brasília (EAB)

A Escola Americana foi fundada em 1961, com o objetivo de acolher filhos de diplomatas que se mudariam para a nova capital brasileira para trabalhar nas embaixadas. A proposta inicial era que essas crianças continuassem os estudos na língua inglesa sem prejuízo acadêmico ao retornar ao país de origem. Hoje, o acesso à instituição foi ampliado e muitos brasilienses também optam por esse modelo de ensino.

São mais de 40 nacionalidades representadas entre os estudantes da escola, que têm à disposição três diplomas: o brasileiro, o americano e o de bacharelado internacional. A proposta pedagógica da EAB visa ao desenvolvimento holístico do aluno, contemplando cinco áreas principais: a parte acadêmica, as artes, o serviço à comunidade, o desenvolvimento de futuros líderes e as atividades extracurriculares. Uma das disciplinas é a chamada estudos sociais brasileiros, na qual estudam história, geografia e português, obrigatórias para alunos brasileiros.

A escola oferece mais de 30 atividades extracurriculares a partir do 6º ano do ensino fundamental, como chefes de torcida e basquete, e variados clubes, como matemática e programação. Os alunos também podem participar de musicais e peças teatrais, que são apresentadas em inglês, ao menos duas vezes por ano. O calendário adotado difere do brasileiro, pois as aulas têm início em agosto e terminam em junho. Entretanto, os alunos têm um mês de férias entre dezembro e janeiro. São 670 vagas por ano, e o período oficial de matrículas ocorre em maio. As famílias interessadas devem acessar o site da escola, consultar os documentos necessários para se candidatar e entrar na lista de espera.

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