LIGA DOS CAMPEÕES

Espírito olímpico

Quatro anos depois, seis atores de Brasil e Alemanha nos Jogos do Rio-2016 invadem as semifinais. Medalhistas de ouro no Maracanã, Neymar e Marquinhos reencontram, hoje, o prateado Klostermann

Marcos Paulo Lima
postado em 17/08/2020 23:47
 (foto: ODD ANDERSEN)
(foto: ODD ANDERSEN)

Patinho feio entre as competições de seleções do futebol mundial, o torneio olímpico tem sua beleza estampada no currículo de seis jogadores semifinalistas da Liga dos Campeões da Europa. Personagens da decisão da medalha de ouro entre Brasil e Alemanha nos Jogos do Rio-2016, o atacante Neymar e o zagueiro Marquinhos do Paris Saint-Germain; e o lateral-direito germânico Klostermann do Red Bull Leipzig colocarão em xeque, hoje, às 16h, no Estádio José Alvalade, em Lisboa, o amadurecimento proporcionado por aquela final de quatro anos atrás. Outros três medalhistas podem usar a bagagem obtida, no Maracanã, a favor do Bayern de Munique no duelo de amanhã contra o Lyon. Süle, Goretzka e Gnabry conquistaram a prata na Cidade Maravilhosa.

Neymar e Klostermann podem travar um duelo à parte na decisão. O brasileiro adora bagunçar o lado direito das defesas adversárias. O alemão joga justamente naquele pedacinho do campo. As carreiras dos dois jogadores evoluíram depois dos Jogos Olímpicos. O atacante do PSG conquistou a Liga dos Campeões em 2015 formando o trio de ataque MSN do Barcelona com Messi e Suárez. Tornou-se o jogador mais caro da história do futebol. O clube francês desembolsou 222 milhões de euros pelo reforço. Com a Seleção, o brasileiro fracassou na segunda tentativa de levar o país ao hexa. Deu adeus ao torneio nas quartas de final contra a Bélgica.

Enquanto Neymar é a referência do Brasil do técnico Tite e do PSG de Thomas Tuchel, Lukas Klostermann é um dos intocáveis do comandante do Leipzig, Julen Nagelsmann. A trajetória na seleção alemã é recente. Entre amistosos e as Eliminatórias para a Euro-2020, ele acumula oito jogos sob a batuta de Joachim Löw. É questão de tempo para se firmar. Klostermann passou pelas seleções sub-17, sub-19 e sub-21.

A diferença entre os dois está na conta bancária e na pressão. Neymar carrega o fardo de conseguir ser eleito o melhor jogador do mundo pela primeira vez. Bateu na trave em 2015. Ficou em terceiro lugar, atrás de Messi e de Cristiano Ronaldo. Naquele ano, havia sido artilheiro da Champions com 10 gols, ao lado dos dois.

Fora das quatro linhas, Neymar é um sucesso. É patrocinado até pela... Red Bull! A multinacional austríaca do energético pertence à vasta lista de patrocinadores do jogador. Portanto, a semifinal deixou o craque em uma situação no mínimo constrangedora: ajudar o PSG a desbancar o time de Dietrich Mateschitz, o empresário austríaco de 76 anos que banca tanto o Red Bull Leipzig quanto Neymar. A fortuna do executivo, estimada em 27,4 bilhões deu euros, o coloca na modesta 57º posição entre os mais ricos do mundo de acordo com o ranking da revista Forbes.

Logo, cabe a Klostermann e seus companheiros defenderem o patrimônio do chefe dos dribles, arrancadas e gols de Neymar. Para se ter uma ideia do vínculo da Red Bull com o camisa 10 do PSG, a firma bancou, em fevereiro, a festa de 27 anos do craque para 500 convidados. A multinacional também patrocina o Neymar Jr’s Five, um campeonato de futebol estilo livre que tem o astro como garoto-propaganda.

Bem menos badalados, Klostermann e Marquinhos curtem a vibe de operários em suas repartições. Carregador de piano, o zagueiro brasileiro ajuda o PSG no papel de volante. Inclusive, marcou o primeiro gol na virada contra a Atalanta nas quartas de final. Klostermann nem isso. Balançou a rede três vezes no Alemão e uma na Copa da Alemanha. Também não é de dar assistências. São três nesta temporada.

Medalhistas olímpicos à parte, as semifinais contam com três técnicos alemães. Dois deles serão eliminados hoje. Thomas Tuchel, 46 anos, do PSG, é uma espécie de padrinho de profissão de Julian Nagelsmann, 33. Depois da aposentadoria precoce no futebol devido a uma lesão no joelho, o técnico do Leipzig começou a carreira de treinador no Augsburg no papel de assistente de Tuchel. Hoje, o discípulou ou o mestre darão adeus ao torneio.

Éramos seis
Eles participaram das Olimpíadas no Rio-2016 e agora são candidatos ao título da Champions League

» Neymar
Autor da cobrança que deu a medalha de ouro ao Brasil, é o camisa 10 do Paris Saint-Germain.

» Marquinhos
Titular da zaga na conquista do ouro, fez o primeiro gol da virada do PSG contra a Atalanta nas quartas.

» Klostermann
Titular da Alemanha na derrota para o Brasil na decisão olímpica, é peça-chave da defesa do RB Leipzig.

» Gnabry
Prata nos Jogos do Rio-2016, fez o terceiro gol no massacre do Bayern por 8 x 2 sobre o Barcelona.

» Süle
Xerife da defesa alemã nas Olimpíadas, entrou no lugar de Jérôme Boateng nas semifinais.

» Goretzka
Jogou na estreia do torneio olímpico no Brasil contra o México e lesionou-se. É titular no meio de campo do Bayern de Munique.


Botafogo contrata joia do Real Brasília

 (foto: Ricardo Botelho/Divulgação)
crédito: Ricardo Botelho/Divulgação

A tradição do Botafogo de investir em revelações do futebol do DF está mantida. Depois de apostar no meia Carlos Alberto Dias, no volante Túlio, no centroavante Dimba e no zagueiro Emerson no passado, o Glorioso acertou o empréstimo, por um ano, de Davi Araújo, 20 anos. A joia da base do Real Brasília ficará em General Severiano até dezembro de 2021. O clube carioca tem preferência na compra de 60% dos direitos econômicos.

Davi Araújo fez dois gols neste ano pelo Real Brasília no Candangão. Na temporada passada, foi considerado destaque do Paracatu no Candangão e motivou o presidente do Real Brasília, Luis Felipe Belmonte, a contratá-lo. “Antes do nosso jogo contra o Gama, eles (Botafogo) formalizaram interesse. A partir daí, ele (Davi Araújo) não mais participou dos treinamentos. Só parte física”, conta o presidente do time semifinalista do Candangão.

Mandatário do Paracatu, o major Elias conhece Davi Araújo desde a base do time do Entorno. “Foi criado pela mãe. Muito humilde. Brilhou na nossa base e foi o único que nós promovemos ao time principal”, recorda o dirigente.

A política do Real Brasília é revelar talentos e colocá-los em clubes de ponta. Hoje, são sete nomes cedidos a times das séries A ou B do Brasileirão e ao Shakhtar da Ucrânia. O zagueiro Vinícius Milani e o meia Vinícius estão no Flamengo. Érik, ex- XV de Piracicaba, seguirá para o Sampaio Corrêa. O atacante Araújo defende o RB Bragantino. Os atacantes Luan e Kaio Nunes trabalham, respectivamente, no Grêmio e no Goiás. Souto ganha experiência no Shakhtar-UCR.

Com a iminente saída de Luis Henrique para o Napoli da Itália, Davi Araújo vira alternativa para a esquerda do ataque. Ele disputará posição com Kalou, Rhuan, Luiz Fernando e Lecaros.


Rafinha se despede do Fla; Mauricio Isla mais próximo

Sem esconder a emoção, o lateral-direito Rafinha se despediu do Flamengo ontem. O experiente jogador disse que a família pesou em sua decisão de voltar para a Europa, onde defenderá o Olympiacos. “Tenho família, tenho filhos e isso pesou muito na decisão”, declarou o atleta de 34 anos.

“É um momento difícil para mim. Queria agradecer por tudo. Vim pelo desafio de tentar triunfar no Brasil e consegui”, disse Rafinha, emocionado. “Isso que ficou. Vai ficar marcado. Realizei sonhos: campeão do Brasileiro e da Libertadores. Com 34 anos ainda ter mercado na Europa é um prêmio”, comemorou.

Questionado sobre a decisão de deixar o Flamengo, Rafinha disse que a questão financeira pesou, principalmente porque a aposentadoria se aproxima. “É algo que envolve muita coisa, também da minha família. Foi uma decisão difícil e muito rápida. Tenho família, tenho filhos e isso pesou muito na decisão”, reforçou.

Enquanto isso, na Espanha, a dupla de dirigentes Marcos Braz e Bruno Spindel se reuniu com Mauricio Isla e seus agentes para apresentar a proposta do clube ao lateral-direito chileno de 32 anos. Segundo o GE, o acerto está encaminhado, mas o contrato só será assinado quando houver aval médico após a realização de todos os exames.

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