O país que deu as costas para o gol

Correio Braziliense
postado em 01/09/2020 23:49 / atualizado em 01/09/2020 23:51
 (foto: Alexandre Vidal/Flamengo)
(foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

A sétima rodada do Campeonato Brasileiro começa hoje com um fardo de três décadas nas costas: a Série A amarga a pior média de gols desde 1991. A edição deste ano registra 2,11 por partida. São 116 bolas na rede em 55 jogos. Apenas oito edições da era moderna, ou seja, descartando Taça Brasil e Robertão, foram mais econômicas: 1971 (1,83), 1972 (2,08), 1973 (1,93), 1986 (2,09), 1987 (1,8), 1988 (1,9), 1989 (2,01) e 1990 (1,89).

O desempenho ofensivo dos times no novo normal do Brasileirão é assustador. O líder Internacional tem 10 gols em seis jogos. Média de 1,66 por partida. Atual campeão, o Flamengo encerrou a edição anterior com 86 em 38 partidas, média de 2,26 por exibição. Neste ano, acumula quatro em seis apresentações, ou seja, 0,66 por jogo. Metade em cobrança de pênalti. Duas vitórias do time que encantou o país no ano passado foram pelo placar mínimo. Estamos falando do time que arrematou o Carioca, o Brasileirão e a Libertadores na temporada anterior.

Há quem atribua a carência de gols à paralisação de quatro meses causada pela pandemia do novo coronavírus. A tese é de que os 20 candidatos ao título estão em ritmo de pré-temporada. Os mais intolerantes apontam o futebol reativo como causa do desinteresse pelo gol. Uns times são programados para jogar fechadinhos, à espera do contra-ataque, ou por uma bola, quando costumam dizer alguns treinadores. Outros abraçaram a causa da posse de bola estéril. São absolutamente inofensivos no ataque.

É o caso do Athletico-PR. O Furacão lidera o ranking da posse de bola com 64,8% por jogo — com picos de 73,9% na Arena da Baixada. Na prática, o Furacão não é contundente. Fez cinco gols em seis partidas. Resultado: o “tiki-taka” improdutivo de Dorival Júnior levou o treinador a perder quatro dos seis jogos e ficar sem o emprego. Flamengo (61,6%), Atlético-MG (58,9%) e São Paulo (58,5%) e Corinthians (54,4%) fecham o G-5 no quesito posse de bola. Porém, o Internacional ostenta o melhor ataque tendo a bola em 53,4% do tempo.

Europa

A média de gols do Brasileirão deste ano é inferior à das sete principais ligas nacionais da Europa. O Alemão, por exemplo, encerrou a temporada passada com 3,21 por partida. O menos ofensivo foi o Espanhol, com 2,48, contra 2,11 da nossa Série A após seis rodadas. Holandês, Italiano, Inglês, Francês e até o questionado Português garantem mais bolas na rede por partida. Na América do Sul, a última edição da Superliga Argentina fechou com 2,29 gols por partida. O Campeonato Uruguaio ostentou 2,43. Até o Boliviano bate o Brasil: 3,03.

Artilheiro das últimas duas edições do Brasileirão, Gabriel Barbosa é apontado como um dos vilões da baixa média de gols. Tem três nesta edição, mas seria facilmente o artilheiro se não desperdiçasse chances claras, principalmente na estreia com derrota para o Atlético-MG e na vitória do último domingo sobre o Santos. O camisa 9 rubro-negro saiu lesionado na última partida e não enfrentará o Bahia no confronto de hoje, em Pituaçu.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação