Libertadores

América contra o vírus

Com R$ 500 milhões em logística e times receosos de jogar no Brasil, torneio continental será retomado hoje. Especialistas citam risco de infecções. Santos e Athletico-PR fazem duelos importantes

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 15/09/2020 00:31


A Copa Libertadores volta a ser disputada, hoje, após seis meses de paralisação e com uma realidade bastante complexa para clubes, dirigentes e principalmente para a própria Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Para concretizar o retorno do torneio em meio à pandemia do novo coronavírus, a entidade investiu cerca de R$ 500 milhões no custeio de viagens em voos fretados e testes RT-PCR para as equipes. Mas isso não foi suficiente para resolver o temor de alguns times em viajar.

Dois países manifestaram preocupação com o Brasil, nação com o maior número de casos e mortes por covid-19 na América do Sul. Chile e Uruguai questionaram a segurança tanto de virem ao país como até de receberem equipes brasileiras nos estádios e hotéis. Procurada para comentar o assunto, a Conmebol avisou que não se manifestaria.

A entidade elaborou um protocolo médico de cuidados com a proposta de que os times viajem pela América do Sul dentro do que tem sido chamado de “bolhas móveis”. Os elencos se deslocam com o mínimo de contato externo possível. As viagens são em voos fretados e exclusivos para a delegação. A hospedagem será em hotéis com alas isoladas, além da rotina de testes e os jogos em estádios sem torcida. Para especialistas, há risco.

“Nenhuma bolha é impenetrável. Por mais que se aprimore, não é 100% seguro”, disse o infectologista argentino Tomás Orduna, chefe de medicina tropical do Hospital Francisco Muñiz e consultor médico do Boca Juniors. “É perfeitamente normal que alguns países tenham medo de receber times do Brasil. No Uruguai, por exemplo, a pandemia está controlada. Mas ter de receber times de fora significa que pode voltar a ter transmissão comunitária com pessoas infectadas e assintomáticas”, explicou.

A avaliação é que seria necessário os elencos permanecerem em quarentena por alguns dias depois do retorno aos respectivos países. “Isso ajuda o resto da população a ser protegida”, explicou Tânia Chaves, médica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Ainda não é o momento de viajar pela América do Sul”, defendeu o professor de infectologia da faculdade de Medicina de Córdoba, na Argentina, Hugo Pizzi.

Para o médico da Seleção Brasileira feminina de futebol, Nemi Sabeh, o isolamento dos times no retorno não se faz necessário, porque a rotina de testes RT-PCR no Brasileirão garante a segurança. “Os exames de rotina mostrarão se tem alguém infectado”, afirmou.

Marinho
A Libertadores da América começa hoje à noite para Marinho. O destaque santista foi ausência nas duas primeiras rodadas por causa de fratura no pé. Motivado e descansado, é a principal aposta de Cuca para o time deixar encaminhada a vaga às oitavas de final. Diante do Olímpia, às 21h30, na Vila Belmiro, um triunfo significa “colocar a mão na classificação”.

Na matemática dos santistas, 10 pontos são suficientes para obtenção da vaga. Uma vitória diante dos paraguaios levaria o Peixe, líder da chave, com 100% de aproveitamento, à contagem de nove, perto da meta.

Como os dois próximos compromissos do Santos serão fora de casa, a comissão técnica não quer que o time tenha uma pressão desnecessária longe dos próprios domínios. É ganhar na Vila Belmiro e ter a possibilidade de jogar por empate no Equador e no Paraguai.

Com Marinho, a confiança cresce e todos no Peixe acreditam que podem dar esse grande passo hoje à noite. O atacante vem fazendo a diferença.

Marinho está descansado. Não era para o atacante entrar ao longo do clássico diante do São Paulo no fim de semana. Foi utilizado no segundo tempo (entrou com 21 minutos) para “salvar” o time da derrota e selou o empate.

Mesmo assim descansou bem e está inteiro para manter o ótimo desempenho. Depois de fraturar o pé no primeiro jogo do ano, voltou a jogar o fino da bola no segundo semestre. São sete gols no Brasileirão, muitas finalizações e assistências.

O otimismo evidente, porém, muda de patamar quando se fala em favoritismo santista. Marinho prefere pregar o respeito a um rival tricampeão como o Santos. “Tem de ter pés no chão e focar jogo a jogo. Libertadores é uma competição diferente e estamos acostumados. Mas o Olímpia tem uma equipe forte, experiente e que vem em busca de pontos em nossa casa.”

A provável escalação santista terá: João Paulo; Madson (Pará), Lucas Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonathan; Alison, Diego Pituca e Carlos Sanchez; Arthur Gomes (Raniel), Soteldo e Marinho.

O Santos ganhou dos argentinos do Defensa y Justicia (2 x 1) e dos equatorianos do Delfín (1 x 0), nas rodadas anteriores.

Furacão desafia a altitude

O Athletico-PR tem dois desafios hoje, na volta da disputa de fase de grupos da Libertadores: a altitude de Cochabamba e o fraco desempenho fora de casa na temporada. Diante do Jorge Wilstermann, às 19h15, no Estádio Felix Capriles, a quase 2,6 mil metros acima do nível do mar, a equipe brasileira tentará acabar com os altos e baixos no ano para não se complicar na chave mais equilibrada da competição. Todos os times somam três pontos, após duas rodadas, com o Wilstermann na ponta pelo saldo de gols. Atuar longe de casa não tem sido fácil para o Furacão. São quatro vitórias, em 15 partidas, e três derrotas seguidas. A provável escalação rubro-negra terá: Santos; Jonathan, Felipe Aguilar, Pedro Henrique e Márcio Azevedo; Wellington, Erick e Christian; Geuvânio, Fabinho e Bissoli.

Ivan Storti/Santos FC
Com marcante poder de decisão na temporada, Marinho esbanja confiança na equipe da Vila

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