LIBERTADORES

A história de Ângelo, o brasiliense quebrador de recordes

Marcos Paulo Lima
postado em 08/04/2021 00:12

Em 2011, um menino de Santa Maria, bairro da periferia do Distrito Federal, participava da campanha do tricampeonato do Santos na Libertadores. O meia Felipe Anderson, então com 18 anos, era um dos parceiros de Neymar no elenco comandado por Muricy Ramalho. Na última terça-feira, outro menino da Vila nascido na capital do país entrou para a história do principal torneio de clubes da América do Sul.

Criado em Samambaia, o brasiliense Ângelo Gabriel Borges Damasceno balançou a rede aos 16 anos, 3 meses e 16 dias na vitória do Santos por 3 x 1 sobre o San Lorenzo, na Argentina, no duelo de ida pela terceira fase eliminatória da Pré-Libertadores. Foi o primeiro gol dele como profissional. Além disso, tornou-se o mais jovem a balançar a rede na história da principal competição de clubes do continente.

Em janeiro, o blog Drible de Corpo do Correio contou a história de Ângelo antes da final da Libertadores. Ele era um dos inscritos pelo técnico Cuca na competição, mas não jogou no torneio. Aos 15 anos, 10 meses e 4 dias, tornou-se, em 2020, o segundo jogador mais novo a estrear no time profissional. Pisou no campo contra o Corinthians, no Maracanã, em 25 de outubro de 2020, superou Pelé e fica atrás apenas do precoce Coutinho. O lendário centroavante debutou com 14 anos, 11 meses e 6 dias.

Ângelo é uma das joias descobertas na escolinha Meninos da Vila DF. Começou a levar o futebol a sério em 2012, aos oito anos, nos gramados da Celacap, o clube da Novacap, no SIA. “No primeiro treino notamos que ele tinha muita habilidade e velocidade acima da média”, conta em entrevista ao Correio o professor Carlos Roberto, o Betinho, 50 anos. Ele e o amigo Flávio Bastos ensinaram os fundamentos ao atacante do Peixe.

Betinho lembra que, no primeiro campeonato, a tradicional Copa Dente de Leite, Ângelo brilhou e o time foi campeão no dia do aniversário de nove anos do pupilo — 21 de dezembro de 2013. “No ano seguinte, apresentamos ao Santos para testes nas categorias de base. Ele foi aprovado rapidamente. Mostrou o perfil do clube praiano: jogador rápido, habilidoso, irreverente, com bastante qualidade técnica e ofensividade”, elogia Betinho. Palmeiras, Desportivo Brasil, Athletico-PR e Cruzeiro também tentaram tirar Ângelo do DF.

O menino da Vila saiu do banco três vezes Série A do ano passado. Jogou 30 minutos na estreia contra o Fluminense, seis na derrota para o Bahia, na Vila Belmiro, e outros três no revés diante do Flamengo, novamente no Rio. No Brasileirão Sub-20, balançou a rede contra o Inter e duas vezes no duelo com América-MG. Alvo de olheiros brasileiros do futebol europeu, Ângelo assinou contrato com o Santos em dezembro, aos 16 anos.

Emocionado, publicou nas redes sociais depois da estreia contra o Fluminense: “Aos 14:06 minutos do segundo tempo, eu realizo o sonho de me tornar jogador profissional de futebol. No dia em que o Rei do Futebol foi homenageado e na semana do seu aniversário, eu, um simples garoto sonhador e humilde, que só queria brincar com a bola nas vielas e campos do simples bairro onde cresci (…). A favela venceu”, disse, referindo-se a Samambaia.

Os treinadores candangos de Ângelo o comparam a outras estrelas do Santos. “Ele lembra o Edu, ex-ponta, e Neymar pelos dribles em velocidade e mudança de direção. Um jogador muito interessante que vai evoluir e brilhar”, aposta Betinho.

“No primeiro treino notamos que ele tinha muita habilidade e velocidade acima da média”

Carlos Roberto, o Betinho, um dos primeiros técnicos de Ângelo nas divisões de base no Distrito Federal

 

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