COPA AMÉRICA

Tite ressalta desconforto com privilégios do futebol em meio à pandemia

Treinador declarou torcida para a delegação brasileira não registrar casos de covid-19 durante a Copa América e defendeu imunização da população. "As pessoas precisam de vacina para voltar às atividades"

Danilo Queiroz
postado em 16/06/2021 19:22
 (crédito: Lucas Figueiredo/CBF)
(crédito: Lucas Figueiredo/CBF)

O técnico da Seleção Brasileira, Tite, afirmou não se sentir confortável com o que classificou como privilégios do mundo do futebol em meio à pandemia de covid-19. Durante entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (16/6), o treinador do time verde e amarelo ressaltou torcida para a delegação canarinha não registrar nenhum caso da doença e saiu em defesa da imunização da população brasileira. Na visão do treinador, isso é necessário para as pessoas retomarem as atividades normais.

Na segunda-feira (14/6), o técnico Oscar Tabárez, do Uruguai, admitiu que será "difícil" evitar contágios durante Copa América e “previu” casos na delegação do país. Até o momento, 53 diagnósticos positivos foram confirmados nas dez seleções da competição. Tite evitou fazer a mesma previsão no contexto da Seleção Brasileira. “Fico torcendo para que não tenhamos nenhum caso, esse é meu sentimento. O futebol é privilegiado em relação a isso, me sinto desconfortável. Tantos precisando de vacina, estamos falando de saúde, não de política. As pessoas precisam de vacina para voltar às atividades”, declarou.

O treinador também falou da pandemia para alertar sobre a carga excessiva sobre os jogadores. Questionado pelo Correio sobre o drama de Christian Eriksen, dinamarquês que teve mal súbito em campo durante a partida da Eurocopa contra a Finlândia, Tite destacou a necessidade da recuperação física e mental dos jogadores. “O atleta tem que estar jogando no mais alto nível, com uma exigência técnica, cobrança da torcida, a auto-cobrança. Quando não tem recuperação para isso, fazemos periodização dos aspectos mentais da pessoa. Tem que dar uma parte de equilíbrio, senão isso fica opressor. Estamos com uma série de atletas que não tiveram férias”, lembrou.

Sobre campo e bola, o treinador fez projeções sobre o próximo jogo do Brasil na Copa América. Logo no início da entrevista coletiva, Tite foi perguntado sobre o time que enfrentará o Peru, nesta quinta-feira (17/6), às 21h, no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. O técnico destacou ter definido os 11 titulares, mas fez mistério sobre possíveis mudanças. “A equipe está definida e os atletas sabem quem joga, mas eu não vou dar a escalação”, despistou. Em seguida, o auxiliar Cléber Xavier confirmou apenas a escolha de começar a partida com Ederson no gol. “Estamos trabalhando, fazendo a análise junto com o Tafarel e nesse jogo decidimos por ele”, explicou.

O auxiliar detalhou, ainda, a expectativa sobre o novo encontro contra o Peru. O duelo será o quinto contra os adversários sul-americanos em um espaço de dois anos. As equipes, inclusive, decidiram a Copa América em 2019, com vitória verde e amarela. “Um Peru que jogou contra Equador na última rodada das Eliminatórias. Jogou com marcação agressiva média, uma característica dela, mas também abaixou muito e utilizou do contra-ataque. Sem Farfan, sem Guerrero, sem Aquino, Flores, Advincula. Vários atletas novos. Uma renovação. Alguns atletas que continuam. Estamos estudando os últimos jogos deles, trabalhamos buscando estratégias ofensivas e defensivas para enfrentá-los”, adiantou.

A ausência de amistosos contra seleções da Europa no ciclo de preparação para a Copa do Nundo de 2020, no Catar, também foi comentada por Tite. A última partida do time canarinho contra uma equipe do Velho Continente foi em 26 de março de 2019, na vitória, por 3 x 1, contra a República Tcheca. Desde então, principalmente no agravamento logístico provocado pela pandemia, os encontros não foram possíveis. “Esse fato é inevitável. Não temos como mexer isso. Não é de vontade do técnico. Não é nossa vontade. Temos externado nossas vontades. É uma situação do calendário internacional. É de Conmebol, Fifa, federações”, disse.

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