COPA AMÉRICA 2021

Estilo toco y me voy

Com direito a "tabelinha" polêmica com o árbitro argentino da final da Copa de 2018, Néstor Pitana, e VAR para debater influência do juiz no lance do gol de empate, Brasil derrota a Colômbia de virada e segue 100%

Marcos Paulo Lima
postado em 24/06/2021 00:31
 (crédito: Mauro Pimentel/AFP)
(crédito: Mauro Pimentel/AFP)

Chegamos ao dia em que o Árbitro de Vídeo (VAR) parou uma eternidade para checar um toque na bola do juiz no lance do primeiro gol do Brasil na vitória de virada sobre a Colômbia, ontem, no estádio Nilton Santos, no Rio, pela quarta rodada da fase de grupos da Copa América. Neymar passou a bola, ela tocou em Néstor Pitana, mediador da final da Copa da Rússia, em 2018, sobrou para Lucas Paquetá e o meia acionou Renan Lodi. O lateral-esquerdo cruzou para a área e Firmino cabeceou para empatar.

Diz o bordão de Arnaldo Cezar Coelho que “a regra é clara”, mas até os homens do apito pararam o jogo uma eternidade para debater o lance bizarro. O manual diz que o juiz só deve parar a jogada se participar a ponto de haver mudança na posse de bola. Pois bem: ela continuou com o Brasil graças à “linha de passe” com Pitana e terminou no fundo da rede. Houve indignação e até certo desconhecimento da lei por parte do elenco da Colômbia, cerco a Pitana e um festival de cartões amarelos para dispersá-los em uma partida tumultuada.

No último lance, Neymar cobrou escanteio perfeito na cabeça do volante Casemiro e ele decretou a terceira vitória do Brasil no torneio. Atual campeão, o país está confirmado como primeiro colocado do Grupo B e enfrentará o quarto do A. Antes, encerrará a participação nesta fase contra o Equador, domingo, às 18h, no Olímpico, em Goiânia.

Organizada em um sistema 4-4-2, a Colômbia apostou em um velho truque na tentativa de amenizar o poder ofensivo do Brasil. O técnico Reinaldo Rueda, ex-Flamengo, posicionou Luis Díaz aberto na esquerda e Cuadrado na direita para sufocar os laterais Danilo e Alex Sandro. Com ambos presos à marcação, Tite perdeu presença ofensiva. Ele tem insistido no avanço de até cinco jogadores ao ataque com a posse de bola, transformando o sistema tático praticamente em um 2-3-5. No entanto, a Colômbia não cedeu espaço, quebrou o ritmo dos donos da casa e viu um Brasil lento procurar espaços sem nenhuma eficiência.

A Colômbia projetou as pontas como atalho para agredir o Brasil e conseguiu aos nove minutos graças justamente a uma trama entre os dois pontas. Cuadrado inverteu bola da direita para esquerda em um belo cruzamento e Luis Díaz emendeu de bicicleta para o fundo da rede do goleiro Weverton. O Brasil não sofria gol há seis partidas e teve a invencibilidade quebrada.

Compactação

Em vantagem, a Colômbia deixou os laterais do Brasil ainda mais presos. Alex Sandro guardou posição e não chegou à linha de fundo. Danilo tentou avançar aos trancos e barrancos, mas esbarrava na forte marcação adversária, comprometida com a proposta de jogo de Reinaldo Rueda.

A melhor oportunidade do Brasil partiu dos pés de Richarlison, mas ele finalizou fraquinho contra o gol de Ospina. Vigiado de perto pelos marcadores colombianos, Neymar tentava em vão partir para cima dos rivais, mas era domado na bola ou com falta por Zapata e Mina.

Tite mudou o time no intervalo ao trocar Everton Ribeiro por Roberto Firmino. Neymar insistia em resolver sozinho. Tentou duas vezes. A primeira em um chute fraco e a segunda em uma finalização precipitada de fora da área, próxima da trave de Ospina.

Persistente, o Brasil chegou ao empate depois da polêmica linha de passe com a participação de Pitana e a finalização de Firmino. Quando o empate parecia de ótimo tamanho diante da dificuldade imposta pela Colômbia, Neymar tirou da cartola uma jogada ensaiada em cobrança de escanteio. Preocupados com Paquetá na primeira trave, os marcadores adversários deixaram Casemiro sozinho para testar com força para o fundo da rede.

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Conheça Brereton, o inglês do Chile

 (crédito: Douglas Magno/AFP)
crédito: Douglas Magno/AFP

Depois de contar com grandes nomes no comando de ataque como Iván Zamorano e Marcelo Salas, e consagrar Alex Sánchez, ícone do bicampeonato do Chile na Copa América em 2015 e 2016, a seleção aposta, agora, em Ben Brereton como uma de suas peças ofensivas ao lado de Eduardo Vargas. Filho de pai inglês e mãe e avô chilenos, o atacante nasceu em Stoke-on-Trent, na Inglaterra, e será uma das atrações do duelo de hoje contra o Paraguai, às 21h, no Mané Garrincha, em Brasília, pela quarta rodada do Grupo A da Copa América.

Autor de um dos três gols do Chile nesta edição do torneio continental na vitória por 1 x 0 sobre a Bolívia, na Arena Pantanal, em Cuiabá, Brereton vem sendo um dos destaques da companhia. Antes de optar pela esquadra sul-americana, o atacante passou pelas divisões de base da seleção inglesa. Em 2017, foi campeão da Eurocopa Sub-19 pelo país de origem.

A geração inglesa contava, entre outros talentos, com Reece James e Mason Mount, campeões da Champions League nesta temporada pelo Chelsea e convocados para a Eurocopa.

Sem espaço nas listas subsequentes da Inglaterra, Brereton decidiu defender o Chile. Aos 22 anos, o atacante joga pelo Blackburn Rovers, da segunda divisão do futebol inglês, e tem passagens pelas categorias de base do Stoke City e da equipe principal do tradicional e bicampeão europeu, Nottingham Forest.

Em alta no time treinado pelo uruguaio Martín Lasarte, Brereton não fala espanhol, Isso dificulta a comunicação com o grupo. No entanto, jogadores e comissão técnica se esforçam para que o inglês compreenda suas funções dentro de campo.

“Ele não fala o idioma e está fazendo um grande esforço para nos compreender. Os companheiros têm grande parte nisso, pois estão ajudando muito. Ele teve uma oportunidade e agarrou”, ressaltou o técnico Martín Lasarte ao site oficial do Blackburn Rovers. O treinador elogiou o trabalho de Brereton.

Em Brasília, Brereton terá mais uma oportunidade para entrar em campo e se firmar com a camisa vermelha. O Chile encara o Paraguai nesta noite. Uma vitória garantirá a classificação às oitavas de final da Copa América. O Paraguai vem de derrota para a Argentina, na seunda, por 1 x 0.

* Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

Agonia uruguaia

Sob pressão na Copa América depois de perder da Argentina na estreia e empatar com o Chile na segunda exibição, o Uruguai tem obrigação de derrotar a Bolívia, hoje, às 18h, na Arena Pantanal, em Cuiabá, para evitar o quarto lugar. Encerrar a fase nesta posição pode significar enfrentar o Brasil nas quartas de final, ou seja, tudo o que os visitantes não querem na etapa eliminatória. A Celeste tem um dos ataques mais badalados do mundo formado por Luis Suárez e Cavani, porém balançou a rede apeans uma vez nesta edição. A Bolívia contará com o reforço de Marcelo Moreno. Ele está curado da covid-19 e cumpriu suspensão imposta pela Conmebol depois de criticar a entidade por realizar o evento na pandemia. O jogo de hoje é a útlima cartada da Bolívia pela classificação. O duelo seguinte será com a Argentina.

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