Chegamos ao dia em que o Árbitro de Vídeo (VAR) parou uma eternidade para checar um toque na bola do juiz no lance do primeiro gol do Brasil na vitória de virada sobre a Colômbia, ontem, no estádio Nilton Santos, no Rio, pela quarta rodada da fase de grupos da Copa América. Neymar passou a bola, ela tocou em Néstor Pitana, mediador da final da Copa da Rússia, em 2018, sobrou para Lucas Paquetá e o meia acionou Renan Lodi. O lateral-esquerdo cruzou para a área e Firmino cabeceou para empatar.
Diz o bordão de Arnaldo Cezar Coelho que “a regra é clara”, mas até os homens do apito pararam o jogo uma eternidade para debater o lance bizarro. O manual diz que o juiz só deve parar a jogada se participar a ponto de haver mudança na posse de bola. Pois bem: ela continuou com o Brasil graças à “linha de passe” com Pitana e terminou no fundo da rede. Houve indignação e até certo desconhecimento da lei por parte do elenco da Colômbia, cerco a Pitana e um festival de cartões amarelos para dispersá-los em uma partida tumultuada.
No último lance, Neymar cobrou escanteio perfeito na cabeça do volante Casemiro e ele decretou a terceira vitória do Brasil no torneio. Atual campeão, o país está confirmado como primeiro colocado do Grupo B e enfrentará o quarto do A. Antes, encerrará a participação nesta fase contra o Equador, domingo, às 18h, no Olímpico, em Goiânia.
Organizada em um sistema 4-4-2, a Colômbia apostou em um velho truque na tentativa de amenizar o poder ofensivo do Brasil. O técnico Reinaldo Rueda, ex-Flamengo, posicionou Luis Díaz aberto na esquerda e Cuadrado na direita para sufocar os laterais Danilo e Alex Sandro. Com ambos presos à marcação, Tite perdeu presença ofensiva. Ele tem insistido no avanço de até cinco jogadores ao ataque com a posse de bola, transformando o sistema tático praticamente em um 2-3-5. No entanto, a Colômbia não cedeu espaço, quebrou o ritmo dos donos da casa e viu um Brasil lento procurar espaços sem nenhuma eficiência.
A Colômbia projetou as pontas como atalho para agredir o Brasil e conseguiu aos nove minutos graças justamente a uma trama entre os dois pontas. Cuadrado inverteu bola da direita para esquerda em um belo cruzamento e Luis Díaz emendeu de bicicleta para o fundo da rede do goleiro Weverton. O Brasil não sofria gol há seis partidas e teve a invencibilidade quebrada.
Compactação
Em vantagem, a Colômbia deixou os laterais do Brasil ainda mais presos. Alex Sandro guardou posição e não chegou à linha de fundo. Danilo tentou avançar aos trancos e barrancos, mas esbarrava na forte marcação adversária, comprometida com a proposta de jogo de Reinaldo Rueda.
A melhor oportunidade do Brasil partiu dos pés de Richarlison, mas ele finalizou fraquinho contra o gol de Ospina. Vigiado de perto pelos marcadores colombianos, Neymar tentava em vão partir para cima dos rivais, mas era domado na bola ou com falta por Zapata e Mina.
Tite mudou o time no intervalo ao trocar Everton Ribeiro por Roberto Firmino. Neymar insistia em resolver sozinho. Tentou duas vezes. A primeira em um chute fraco e a segunda em uma finalização precipitada de fora da área, próxima da trave de Ospina.
Persistente, o Brasil chegou ao empate depois da polêmica linha de passe com a participação de Pitana e a finalização de Firmino. Quando o empate parecia de ótimo tamanho diante da dificuldade imposta pela Colômbia, Neymar tirou da cartola uma jogada ensaiada em cobrança de escanteio. Preocupados com Paquetá na primeira trave, os marcadores adversários deixaram Casemiro sozinho para testar com força para o fundo da rede.
