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Punhos dourados: Hebert Conceição vence final e escreve seu nome na história do esporte brasileiro

O triunfo sobre o ucraniano Oleksandr Khyzhniak colocou o pugilista baiano na prateleira dos grandes esportistas do país. Com a conquista dourada, o boxe brasileiro chega à sua sexta medalha em Jogos Olímpicos

VICTOR PARRINI*
postado em 07/08/2021 03:06 / atualizado em 08/08/2021 02:31
 (crédito: Julio Cesar Guimarães/COB)
(crédito: Julio Cesar Guimarães/COB)

“Verás que um filho teu não foge à luta”. Esse é o trecho do hino nacional brasileiro que representa a imensa conquista de Hebert Conceição no boxe e que poderá ser cantado pelo pugilista baiano diretamente do lugar mais alto do pódio na Kokugikan Arena. O triunfo verde-amarelo nos pesos médios veio através da vitória sobre o ucraniano Oleksandr Khyzhniak, atual bicampeão europeu. 

Nem os melhores roteiristas de Hollywood poderiam imaginar o enredo da vitória e título de Hebert Conceição. O pugilista brasileiro perdeu os dois primeiros rounds e foi para o terceiro e decisivo precisando encaixar um nocaute para decidir a luta. E assim foi, o baiano não desistiu, mostrou garra e colocou o adversário ucraniano no chão. 

Hebert Conceição entra para a galeria dos grandes esportistas do Brasil. A conquista em Tóquio foi apenas a segunda dourada da história do boxe brasileiro em Jogos Olímpicos. A primeira havia sido com o conterrâneo Robson Conceição, na Rio-2016. Agora, Hebert compartilha mais do que apenas o sobrenome com Robson, divide o reinado de campeão olímpico pelo país.

Caminhada de ouro 

Na trajetória rumo ao topo, Hebert enfrentou grandes adversários, mas sempre buscou impor o seu ritmo com seriedade e personalidade. Logo na estreia, encarou o chinês Erbieke Tuoheta, num confronto difícil, vencendo por 3 x 2. Nas quartas de final, o oponente foi o cazaque Abilkhan Amankul e, novamente, num combate de extremo equilíbrio, o brasileiro levou a melhor por decisão de três juízes. Com a vaga na semifinal, o baiano já tinha garantido, no mínimo, a medalha de bronze. Mas ele não se contentou com isso e foi em busca de mais. Superou o russo Gleb Bakshi em sua melhor luta até então e ficou ainda mais perto do tão sonhado ouro.

O obstáculo final, a última fronteira entre o pugilista baiano e o ouro olímpico foi o ucraniano Oleksandr Khyzhniak. O primeiro round foi de um volume maior de Khyzhniak, que venceu a parcial por unanimidade. No assalto seguinte, nova pressão ucraniana e vitória europeia. Porém, quando tudo parecia perdido, Hebert buscou forças e aplicou um lindo nocaute no oponente e garantiu, na bacia das águas, o seu primeiro ouro olímpico.

Conquistas do boxe brasileiro em Olimpíadas

Carregando as esperanças de um país nas costas, Hebert Conceição foi o responsável por garantir a 7ª medalha do Brasil na modalidade em Jogos Olímpicos. A primeira veio com Servílio de Oliveira, que levou o bronze na edição realizada na Cidade do México, em 1968. Quarenta e quatro anos depois, Adriana Araújo e Yamaguchi Falcão conquistaram o bronze em Londres-2012, enquanto Esquiva Falcão garantiu a prata. Antecessor de Hebert, Robert Conceição abriu o caminho de ouro na Rio-2016.

A festa brasileira nos ringues japoneses não para por aí. Na madrugada deste domingo (8/8), às 2h, Beatriz Ferreira tem a chance de colocar o Brasil novamente no lugar mais alto do pódio. A baiana encara a irlandesa Kellie Anne Harrington, campeã mundial em 2018 e bronze na Rio-2016, pela grande final dos pesos leves.

*Estagiário sob supervisão de Marcos Paulo Lima

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