Expectativa

França vive melhor momento nos esportes: do futebol às olimpíadas

Da Olimpíada ao tapete vermelho para Messi: como a capital da França virou o centro do esporte em uma semana. Correio mostra como estão os preparativos do país para voltar a receber os Jogos depois de 100 anos

Correio Braziliense
postado em 15/08/2021 06:00
 (crédito: Reprodução/Paris2024)
(crédito: Reprodução/Paris2024)

A França vive uma fase incrível. É atual campeã da Copa do Mundo. Emprega o jogador mais caro da história, o brasileiro Neymar, contratado em 2017 por 222 milhões de euros. Acaba de tirar do Barcelona Lionel Messi, recordista de prêmios de melhor do mundo. Ambos atuarão ao lado do diamante Kylian Mbappé no Paris Saint-Germain. Com a bola na mão, o país garimpou ouro nos torneios masculino e feminino de handebol nos Jogos Olímpicos de Tóquio, com direito a triunfo contra os Estados Unidos na estreia. Receberá, em breve, Bernardinho, novo comandante da seleção dourada de vôlei do craque Earvin N’Gapeth. Haja autoestima.

A prova final de que a França virou a capital mundial do esporte foi dada no último domingo. Tóquio entregou o bastão a Paris. A cidade está de posse da bandeira olímpica. Depois de 100 anos, os Jogos retornarão ao país em 2024. A capital francesa, que recebeu o evento pela última vez em 1924, tem como objetivo sediar a Olimpíada mais sustentável de todos os tempos. O plano prevê 95% de instalações já existentes ou temporárias. Paris-2024 promete, ainda, uma estratégia inovadora de redução de emissões de gás para entregar uma pegada de carbono 55% menor em comparação, por exemplo, aos Jogos de Londres-2012.

A Vila Olímpica será uma vitrine de desenvolvimento sustentável com edifícios de baixo carbono e ecológicos, usando 100% de energia renovável e uma estratégia de política de zero resíduo. Será, também, uma edição mais compacta dos Jogos, sem grandes deslocamentos. Com 85% dos locais de competição situados em um raio de 10 km, a menos de 30 minutos da Vila- Olímpica, por exemplo.

Muitas modalidades, inclusive, serão disputadas na região central da cidade, em instalações montadas em cartões postais da capital francesa. Diante da expectativa de que até lá o mundo terá controlado a disseminação do novo coronavírus e suas variantes, os organizadores querem conectar os Jogos Olímpicos à população local, algo que Tóquio não conseguiu por causa da pandemia.

“Estou ansioso e animado para ver locais icônicos no meio de Paris se transformarem em um Parque Olímpico. São áreas que reúnem o melhor da cultura e vão reunir também o melhor dos esportes”, disse Tony Estanguet, presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Paris, durante a sua passagem por Tóquio para promover a próxima Olimpíada. “Nosso objetivo é levar os Jogos para fora dos estádios, para lugares onde as pessoas estão, como museus e praças públicas.”

A Place de la Concorde, localizada no fim da Avenida Champs-Élysées, por exemplo, receberá as provas de basquete 3x3, skate e BMX, além do breakdance, a nova modalidade que será incluída no programa olímpico em Paris. O Palácio de Versalhes será palco das competições de hipismo.

Outra novidade dentro do esforço de envolver o máximo de pessoas nos Jogos é que a cerimônia de abertura deverá ocorrer às margens do Rio Sena. O objetivo de ter um novo formato para o ato que abre oficialmente a Olimpíada, levando a festa para fora dos estádios, é permitir que milhares de espectadores participem desse momento simbólico do esporte.

Vale destacar, ainda, que, no mesmo dia da maratona de Paris, atletas amadores disputarão uma prova idêntica à dos corredores de elite. A diferença é que a “maratona pública” não começará ao mesmo tempo em que o evento olímpico, mas o público vai correr no mesmo percurso e nas mesmas condições dos competidores profissionais.

Surfe no Taiti
Justamente em uma edição dos Jogos Olímpicos que promete deixar o público mais próximo dos atletas, uma das modalidades mais esperadas pelos espectadores será realizada a 15 mil quilômetros de distância do centro de Paris. As provas do surfe serão no Taiti, na Polinésia Francesa, território ultramarino da França. Nunca uma medalha olímpica foi disputada tão distante da cidade-sede.

“Essa é uma decisão muito importante que tomamos. Queremos oferecer as melhores condições esportivas aos atletas e, todos os anos, em agosto, acontece um evento internacional no Taiti nas praias de Teahupo’o. Lá está a melhor onda do mundo. Então, unimos esses dois eventos para garantir que os atletas que competem lá também participem dos Jogos.”

Ciclo antecipa logística do Time Brasil

Antes mesmo do fim dos Jogos de Tóquio, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) começou os preparativos para Paris. Membros do órgão fizeram duas viagens à França, chamadas de “precursoras”, e uma terceira visita está programada para outubro.

Marselha, cidade portuária no sul da França, na costa do Mediterrâneo, será a base da vela, por exemplo. Parte do material utilizado pelos atletas da modalidade durante os Jogos de Tóquio nem retornará ao Brasil e vai diretamente para a França com antecedência.

Dentro do planejamento montado pelo COB, Portugal deverá ser a maior base de treinamento e aclimatação do Time Brasil para os Jogos de Paris. "Vamos ter a base de suporte, numa dinâmica diferente do que tivemos no Japão. Nossa base principal deve ser em Portugal, porque temos uma relação muito boa entre os comitês”, disse Jorge Bichara, subchefe da Missão Brasil em Tóquio.

No ano passado, no início da pandemia, mais de 200 atletas brasileiros foram treinar em Portugal, em Rio Maior, nas cidades de Cascais, Coimbra e Sangalhos. Foi uma solução encontrada pelo COB enquanto centros de treinamento estavam fechados no Brasil.

Despedida

Ouro e prata olímpico, Wallace anunciou a aposentadoria da seleção brasileira de vôlei. A última atuação do atleta foi contra a Argentina, em derrota na disputa do bronze em Tóquio. “Foram mais de 10 anos me dedicando e abdicando de muitas coisas”, disse, em vídeo postado no Instagram. Wallace foi ao pódio das olimpíadas de Londres, em 2012, e do Rio, em 2016. “Nem de longe imaginaria disputar três Olimpíadas”.

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